Uma Ceia de Natal Galaica:
Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com
couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século
XX, isso era coisa que só existia no Norte do país. Do Porto para baixo,
a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A
partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na
véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.
A tradição é recordada por Maria de Lourdes Modesto num artigo publicado no jornal Público,
em 2009. A maior especialista em comida portuguesa lembra-se que, na
década de 30, depois da missa tinha finalmente direito a comer qualquer
coisa – e normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No
dia 25, então, era servido um almoço completo e, no Alentejo, onde vivia
com a família, era sempre porco – peru nem vê-lo.
No Funchal, a
tradição também era a do jejum na véspera e a do porco no Dia de Natal.
De madrugada, depois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice
de vinho. Na verdade, a festa só começava depois da missa.
Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o
almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente
no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar
em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz
de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família
reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. E Missa do Galo não
existia na região.
Quando foi viver para Lisboa, no final do século XIX, o escritor
Ramalho Ortigão indignou-se mesmo contra aquilo a que chamou "uma
invasão do lar pela sacristia", um "intrometimento sacerdotal" que
interrompia um jantar com uma missa. "Os padres, sem de modo algum lhes
discutirmos o muito que eles sabem do pecado, não sabem nada acerca da
família".
No Norte, ninguém rezava pelo Menino Jesus à meia-noite.
A essa hora toda a gente estava sentada à mesa, à volta de um polvo ou
de um bacalhau. Só as famílias da nobreza nortenha fugiam à tradição.
Numa investigação sobre
"os alimentos nos rituais familiares portugueses", Maria Antónia Lopes,
do Centro de História da Sociedade e da Cultura, da Universidade de
Coimbra, publicou um menu de uma ceia de Natal de uma família nobre do
Norte, em 1891: puré de jardineira, arroz de fantasia caseira,
costeletas nacionais e "ervilhas idem" e couve flor composta. Para
sobremesa, bolo experimental, pudim incógnito e broas de Natal, entre
outros.
No final da II Guerra Mundial, o bacalhau começou então a espalhar-se por todo o país. Segundo Nuno Miguel Costa, do Museu Marítimo de Ílhavo,
o Estado Novo via no bacalhau um prato "simples" e "humilde" que
ajudava a educar o povo a ser poupadinho e bem comportadinho. Com a
massificação da televisão e a distribuição de bacalhau garantida pelo
Estado, a ditadura aproveitou para impor uma propaganda nacional em
defesa do bacalhau, tornando-o tradição em todo o país.
Hoje,
bacalhau cozido é coisa que não falta no dia 24 em casa da Família
Mistério. Adoro aquelas postas altas e deliciosas de bacalhau que se
separam em lascas suculentas. Mesmo as crianças estão rendidas a esta
maravilha. Aliás, cá em casa, só há um alimento que cria um intenso e
dedicado debate: o bolo-rei. Eu compro sempre, já a minha querida e
prezada Mulher Mistério odeia.
Em Portugal, aliás, este bolo nunca foi consensual. A receita foi
trazida para Lisboa em 1869 pelo dono da Confeitaria Nacional que, no
ano passado, ganhou a rigorosíssima eleição de Melhor Bolo-Rei de Lisboa
organizada por este vosso casal amigo e que teve como jurados o chef
José Avillez e a Marta (veja aqui).
Baltasar Rodrigues Castanheiro Júnior provou, pela primeira vez, o
bolo-rei em Paris e começou a vendê-lo na Confeitaria. Rapidamente, o
bolo se tornou um sucesso especialmente na época do Natal.
Mas,
com a implantação da República, um bolo com "Rei" no nome virou um
ultraje. A venda foi proibida pelo Estado e só a gula e a imaginação dos
portugueses é que o conseguiu manter vivo. Antes que os políticos
percebessem o que se estava a passar, já as pastelarias vendiam o mesmo
bolo, chamando-lhe Bolo de Natal, Bolo de Ano Novo ou até Ex-Bolo-Rei.
Eu,
por mim, como-o com qualquer nome ou de qualquer maneira e feitio. Tal
como o bacalhau, o polvo, o peru ou qualquer outra maravilha da tradição
culinária portuguesa. O que é importante é que seja delicioso.
Uma óptima ceia de Natal para si onde quer que a tradição esteja,
Ele
Fonte: https://www.casalmisterio.com/o-que-os-portugueses-comiam-no-natal-ha-630571?fbclid=IwAR2buinvbDjheOeYlhh1rGtFy8W9m_RO7xBpW4jRL_uRtQCIC8gCfyHxb-g
quarta-feira, 25 de dezembro de 2019
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Feliz Carnaval!
Hoje é Carnaval.
Um bom Galaico tenta expulsar o inverno e este reino de espíritos malévolos, se bem que a chuba tanta falta nos faz.
Em vez de mulheres escanzeladas, pálidas como a cal após meses de retiro invernal a tentar abanar os ossos ao som de ruído latino / brasileiro, fica aqui alguma da indumentária tradicional que deveríamos todos usar e promover!
Caretos Artesanais de Rio d'Onor, Bragança
Um bom Galaico tenta expulsar o inverno e este reino de espíritos malévolos, se bem que a chuba tanta falta nos faz.
Em vez de mulheres escanzeladas, pálidas como a cal após meses de retiro invernal a tentar abanar os ossos ao som de ruído latino / brasileiro, fica aqui alguma da indumentária tradicional que deveríamos todos usar e promover!

sábado, 20 de janeiro de 2018
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
SISTELO. ENTRE O VALE E A MONTANHA
Artigo Publicado no Nº18 da Revista Aldraba
Dezembro de 2015
ALDRABA - Associação do Espaço e Património Popular
Texto e Fotografia: Fernando Cerqueira Barros [1]
No extremo Norte do concelho de Arcos de Valdevez (distrito de Viana do Castelo), encaixado entre as margens de um rio Vez ainda em início de vida (mas ao qual recentemente quiseram tirar a vida), [2] e as encostas abruptas da vertente Noroeste da Serra da Peneda, localiza-se a freguesia de Sistelo.
1 - Sistelo, Arcos de Valdevez
Terra de uma beleza ímpar, marcada pelos fortes contrastes entre a paisagem fortemente humanizada do vale do Vez, e uma paisagem mais aberta e de largos horizontes dos altos aplanados da Serra da Peneda (mas não por isso menos humanizados), a freguesia é composta pelos lugares de Sistelo (Igreja), Padrão, Porta Cova, Estrica, Quebrada e Portela de Alvite (este na fronteira com o concelho de Monção).
2 - Sistelo, contraste na paisagem entre o retalhamento por socalcos no Vale do Vez e a paisagem de montanha na "branda" do Alhal
Póvoa medieval, fundada por Roy Pelais de Val de Vez, desde os primórdios teve uma forte ligação com a vizinha Paróquia de Cabreiro, à qual pertenceu. No séc. XIII a importância estratégica desta vertente da serra (nomeadamente na interligação e proximidade que tinha à via de penetração que desde as terras altas de Castro Laboreiro, unia a fronteira com a Galiza até às Terras do Vale do Vez), levou o monarca D. Afonso III, em 1271, a dar Carta de Foro a seis casais de Sistelo, para povoarem e trabalharam o então "monte ermo" de Padrão (Padron), [3] com limites e designações que, passados mais de sete séculos ainda permanecem na memória e toponímia destes lugares.
É portanto uma terra marcada pela geografia e pela história, dos homens que a pulso construíram o seu território, e sabiamente o estruturaram e organizaram. As fortes diferenças de declive originaram microclimas distintos dentro da própria freguesia, os quais estão diretamente associados, quer às diferenças de altitude, quer às disponibilidades hídricas e de insolação, que distinguem claramente as áreas profundas e encaixadas do Vale do Vez e corgas [4] adjacentes, das áreas de montanha e alta montanha, que se aproximam do topo aplanado da Serra da Peneda.
A criação de gado bovino da raça Cachena foi, desde longa data, um dos pilares mais importantes da economia familiar de todas as comunidades serranas da Peneda (tal como o atesta, por exemplo, o testamento de Mumadona do séc. X - "vacas quantas temos na Várzea e no Soajo e quantas possuímos nas encomunhões com os nossos colonos" [5] ), o que, associado com a exiguidade dos espaços férteis de vale, e a forte disponibilidade de pastos de alta montanha, passíveis de exploração (sobretudo na época estival), foram pontuando a serra de currais e "brandas",[6] lançando bases para a estruturação de um uso transumante e sazonal do espaço, entre as áreas baixas de vale utilizadas durante todo o ano (e onde se implantam as aldeias), e as áreas de alta montanha (impraticáveis no inverno devido ao gelo e às neves), para onde sobem os gados entre Março/Abril, e onde permanecem até Setembro/Outubro (onde se implantam as "brandas"), locais já edificados, em alguns dos casos, no período medieval - séc.XIII - como o atesta a referência ao "Curial de Lamelas" ("Branda" de Lamelas, em Cabreiro).
3 - Sistelo: Gado Bovino e construções pastoris na "branda" da Gêmea
Outro dos pontos fundamentais para a estruturação deste território foi a introdução, a partir do séc. XVI, da cultura do milho Maiz. As necessidades de regadio obrigaram ao retalhamento das pendentes das zonas de vale em monumentais socalcos, criando dessa forma patamares horizontais que sustêm a água e permitem a rega, esta proveniente de diversas levadas, algumas das quais utilizando água do rio, corgas, e outras provenientes de nascentes e poços. Foi precisamente a cultura do milho, e a construção dos socalcos que deixou uma das marcas mais fortes na paisagem de Sistelo, sobretudo no seu trecho entre Sistelo e Porta Cova. A estes associam-se os espigueiros (ou canastros), destinados à guarda e secagem do milho, edificados com a estrutura principal em granito e as paredes laterais em madeira, elevados de forma a evitarem a humidade do solo, e protegidos da subida dos roedores, por mós, ou mesas, salientes. No seio das densas aldeias, que caracterizam o povoamento concentrado de montanha, os espigueiros agrupam-se, implantando-se nas áreas de melhor exposição ao sol e aos ventos, garantindo uma melhor conservação do cereal.
4 - Socalcos no Vale do Vez, entre Padrão e Porta Cova e Espigueiros em Padrão
Esta dualidade vale/montanha foi sendo explorada e incrementada, a partir da revolução do "maiz", tendo determinados factores contribuído para uma busca cada vez mais intensa das áreas de alta montanha, que passaram a ser exploradas já não só em busca do pasto estival para os bovinos, mas também, a partir de determinada altura, para um uso agrícola, tendo as "brandas", inicialmente apenas pastoris, passado a locais também de cultivo, inicialmente através da realização de cachadas [7] para centeio, e posteriormente, provavelmente já no séc. XIX, por outra cultura vinda das Américas - a batata.
5 - Zona de cultivo e pasto nas "brandas" do Furado e do Alhal
O conjunto de lugares Sistelo, Padrão e Porta Cova, pertencem, desta forma, ao conjunto de aldeias da Serra da Peneda, que estruturam o seu território através da prática da transumância vertical, entre as áreas de vale utilizadas todo o ano, e as áreas de alta montanha, de uso estival, onde implantam as "brandas". Devido à clara dicotomia de uso e função que separam estes espaços, as técnicas construtivas que caracterizam a arquitectura tradicional desta freguesia são, elas também, distintas.
Assim, com o granito como material primordial para todas as construções, nas aldeias destacamos as habitações, edifícios robustos, com poucas aberturas, defendendo-se das agruras do clima, em alguns casos encerradas em torno de pátios privados, aos quais se associam palheiros, construídos com recurso à madeira. A estas somam-se os espigueiros, em núcleos, como os de Sistelo (recentemente recuperados), os de Padrão (em dois núcleos no extremo Norte e Poente da aldeia), ou os de Porta Cova, que montanha acima nos recebem após passarmos o regato. A arquitectura religiosa, embora presente, não tem marca de monumentalidade (reservada na serra ao Santuário da Senhora da Peneda e quartéis de peregrinos, ou outros locais de culto e romagem, como S. Bento do Cando), sendo, ainda assim, de referir a presença de várias pequenas capelas, a Igreja em Sistelo, e diversos nichos e alminhas, símbolos da arte e da religiosidade popular. A estes associam-se, junto aos rios, os moinhos (a sua maioria de rodízio, alguns com cobertura em granito) e as ruínas do velho fulão [8] (junto ao rio Vez em Padrão, no caminho que leva até Paçô do Monte - Merufe), e interessantes pontes, e pontelhas, que permitiram a passagem dos cursos de água, e as importantes ligações territoriais.
6 - Habitações no lugar de Padrão, e núcleo de construções na "branda" da Gêmea
Na zona de alta montanha a paisagem é claramente distinta, maioritariamente pedregosa, onde pontuam, nas pequenas chãs mais férteis, os terrenos cultivados das "brandas" e as suas peculiares construções. Ali podemos encontrar sinais do que foi a cultura primitiva da montanha, que persistiu até há poucas décadas, onde os pastores e gado pernoitavam nas noites de Verão, em pequenas casas e cortelhos, [9] a sua maioria construídas totalmente em granito, com cobertura edificada com recurso ao sistema de falsa cúpula de granito. Em alguns casos, de dois pisos, observa-se, ainda, a existência da laje de lareira, onde os brandeiros acendiam o fogo e cozinhavam.
Sugestões de percurso de visita:
Sistelo localiza-se cerca de 30 minutos a Norte de Arcos de Valdevez, estando numa posição geográfica a meio caminho entre a Vila sede de Concelho, e a vizinha vila de Monção (mais a Norte). Outras distâncias de referência: 1h a Braga ou Vigo e 1h30m ao Porto.
7 - "Castelo" de Sistelo, Ponte no Rio Vez (em Padrão) e vista do lugar de Padrão
1 - Uma visita a Sistelo poderá começar pelo seu núcleo central (Sistelo - Igreja), onde se implanta uma das mais marcantes construções da freguesia - o chamado "Castelo de Sistelo" - habitação romântica oitocentista, construída por um filho da terra emigrado no Brasil, e que regressado implementou um conjunto de obras e melhorias na aldeia. Ainda na aldeia podem observar-se dois núcleos de espigueiros, a Igreja Paroquial e diversas habitações tradicionais (algumas recuperadas e em funcionamento como Turismo Rural). Uma descida até ao rio, através de centenários degraus, permitirá a visita a velhos moinhos e um primeiro contacto com a zona dos socalcos.
2 - Para reconhecer a área monumental dos socalcos de Sistelo é imprescindível subir até às aldeias de Padrão e Porta Cova, entre as quais a paisagem assume características verdadeiramente deslumbrantes. Quem observe, de topo, o lugar de Padrão, pode aperceber-se da sua implantação, numa pequena área aplanada, dominando sobre as áreas de cultivo. Em cada uma das aldeias ainda é possível observar traços da arquitectura rural tradicional. Padrão tem dois núcleos de espigueiros bastante interessantes, e é precisamente desde esses núcleos que conseguimos obter as mais impressionantes vistas sobre os socalcos.
3 - É possível subir até à "Branda" do Alhal de automóvel, apercebendo-se, durante a subida, da forte transição entre as áreas de vale e montanha. Na "Branda" do Alhal tomará um primeiro contacto com a realidade das "brandas", existindo ainda em bom estado de conservação diversas construções em Falsa Cúpula de Granito e pequenas casas, de dois pisos.
4 - De forma a percecionarmos a realidade territorial de cada uma destas aldeias, e as distâncias e percursos entre aldeia / "branda" (a dicotomia Inverno / Verão da vida serrana de Sistelo), bem como as diferenças marcantes na paisagem e no clima, sugere-se que se percorra uma destas unidades a pé, desde a parte baixa de vale encaixado, até à parte de alta montanha:
a) Em Padrão, é possível iniciar um percurso junto à aldeia, descer por entre socalcos até à parte baixa junto ao rio Vez, onde se implantam os moinhos junto à velha ponte. Posteriormente subir até à "branda" do Alhal e depois, num percurso que nos leva até próximo dos 1000m de altitude, à "branda" da Gêmea, na qual subsistem os mais peculiares conjuntos de falsas cúpulas de granito.
b) Um percurso de compreensão do mesmo género, mas correspondente à realidade territorial de Porta Cova, é possível fazer a partir deste lugar, subindo a velha calçada que nos levará a percorrer a serra, com o Vez ao nosso lado, passando pelas "brandas" de Crastibô, Lapinheira e subindo até à do Furado (esta também próxima dos 1000m, e já na confluência dos concelhos de Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço).
8 - Conjunto de espigueiros em Porta Cova, e construções na "branda" da Gêmea
[1] Arcos de Valdevez, 1986. É Arquitecto pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde concluiu em 2011 o Mestrado em Arquitectura com a Dissertação «Construção do Território e Arquitectura na Serra da Peneda. Padrão (Sistelo) e as suas "brandas" - um caso de estudo» (orientado pelo Arq. Rui Pinto), a qual obteve Menção Honrosa no I Prémio Ibérico de Investigação em Arquitectura Tradicional. Em 2013 concluiu o Curso de Estudos Avançados em Património Arquitectónico, tendo ingressado no mesmo ano no Programa de Doutoramento em Arquitectura da FAUP, onde atualmente desenvolve, sob orientação do Prof. Doutor Pedro Alarcão e do Prof. Doutor João Garcia, a tese «Património Arquitectónico e Organização do Território Transfronteiriço, nas montanhas Galaico-Minhotas».
[2] Projecto de Aproveitamento Hidroeléctrico de Sistelo, que pretendia construir uma mini-hídrica no troço inicial do Rio Vez, entretanto chumbado pelo parecer negativo das entidades competentes.
[3] "Carta de Foro de Monte Leboreiro quod vocatur Padron", 15 de Janeiro de 1271
[4] Corga - pequeno ribeiro, ou regato.
[5] Testamento de Mumadona in Terra de Valdevez e Montaria do Soajo, Eugénio de Castro Caldas, p.63
[6] "Branda" (ou veranda) - espaço de alta montanha, associado à transumância, utilizado durante os meses de verão; local onde pastam os gados entre os meses de Março/Abril até Setembro/Outubro. É composta por espaços de pasto, em alguns casos de cultivo, e diversas construções, onde pernoitam os pastores e animais. Na serra da Peneda cada aldeia possui duas, ou mais, "brandas" no alto da serra, que podem ser de um dos seguintes tipos: a) "brandas" de gado - exclusivamente pastoris; b) "brandas" de cultivo - de uso pastoril e agrícola, onde cultivam centeio e batata; c) "brandas" de maior permanência - na freguesia da Gavieira o núcleo doméstico desloca-se, nos meses de verão, para a "branda", descendo nos de inverno para a aldeia. Terminologia e sistema semelhante ao galego e asturiano "braña".
[7] Cachadas - ou cavadas - preparação do terreno, na serra, para o cultivo; no séc. XVIII o pároco de Carralcova (Arcos de Valdevez), descreve desta forma o uso pastoril e agrícola das "brandas" - "...e no tempo dos mezes de Verão como hé Junho, Julho e Agosto vão os moradores da dita freguezia apascenntar à dita serra o gado vacum e a maior parte do anno o gado meudo (…) em algumas partes os pobres moradores fazem cachadas para o centeio" (Memórias Paroquiais de 1758)
[8] Fulão (ou pisão) - tecnologia tradicional, movido a água, destinado a pisar panos de lã e serguilha.
[9] Cortelhos - construção rudimentar, feita em granito, onde se abrigam os brandeiros e gados. Em algumas "brandas" distinguem-se os "cortelhos" (mais pequenos e destinados aos animais), das "cabanas" (feitas com a mesma tecnologia, mas de maiores dimensões e destinadas aos pastores). Os cortelhos de grandes dimensões, destinados a moradia dos brandeiros, também se designam, em alguns locais, de "cardenhos".
terça-feira, 24 de março de 2015
Pão de Bolota - Sustento Primoridal
O pão de bolota, hoje em dia apenas quase usado de forma ritual druidística e noutras celebrações pagãs, já foi, não vai assim há tanto tempo, o sustento do povo que nos deu a origem.
Antes da introdução do milho Sul Americano ( o local, vulgo milho painço era de qualidade muito inferior e de cultivo difícil ), antes da propagação pelo homem da Castanha e antes das melhorias das técnicas de cultivo, os povos da idade do ferro viviam essencialmente desta fonte alimentar com grande durabilidade.
Citando Estrabão, o geógrafo Grego que visitou a nossa Galécia a mando do império Romano, referiu-se o seguinte:
For two-thirds of the year the mountaineers feed on the acorn, which they dry, bruise, and afterwards grind and make into a kind of bread, which may be stored up for a long period.
(Strabo, Geography, III, 3, 7)
Não é de estranhar que este hábito alimentar tenha perdurado quase até aos nossos dias pois não há milénios que apaguem a memória e o instincto de um povo. Por isso se explica também o facto de existirem quase sempre manchas de "Quercus" de várias espécies juntos aos sanctuários de Montanha do Noroeste do país.
Porquê?
Porque os nossos sanctuários, fundados na sua vasta maioria sobre antigos sítios arqueológicos da idade do Ferro (vulgos Castros, Cividades e Citânias) mantiveram apenas a vegetação local que era essencial à vida das pessoas deste tempo.
Sobreiro secular na Citânia de Briteiros
A importância destas árvores era tanta que o seu valor físico passou para o âmbito do espiritual. Assim sendo, explica-se facilmente porque é que o Carvalho se tornou um símbolo da cultura pagã Celtica ou, melhor dizendo, da cultura Atlântica Europeia.
À falta de tetas de vacas cheias de leite, de ouriços doirados a reluzir sob o sol latente do outono do Noroeste Ibérico, ou de espigueiros (naquele tempo, provavelmente de varas entrançadas como ainda se podem ver nas zonas mais remotas das serras do Alto Minho) cheios de cereal, os nossos amigos Quercus eram, manifestamente, fonte de vida e, inequivocamente, dignos da reverência emocional dos povos.
Ironia pensar que estas árvores, que nos deram vida e sustento, foram acusadas de ser objectos idolatrados de forma pagã sendo o seu culto proibido por São Martinho de Dume logo nos primórdios do Reino Medieval da Galécia. Porém, pelo contrário, adorar estátuas de Santos mudas e frias como a própria morte, apesar de sabermos o que a bíblia nos diz sobre os "ídolos", já foi aceite como regra sem problemas...
Voltando a focar-me no que realmente importa, interessa-me igualmente apontar o facto de que, por norma, os cumes das nossas serras serem naturalmente "carecos". Invariavelmente cheios de afloramentos graníticos, povoados por povo Castrejo que usava as cercanias como pastoreio e um consumo de madeira para o dia a dia, impediam o crescimento intenso de árvores nos topos das serras. Os bosques ficavam-se, por norma, nos vales e a meio dos contrafortes das montanhas por serem mais húmidos e em zonas menos agressivas a nível climático.
Santa Marta das "Cortiças", Falperra, com o seu cume granítico e sobreiros no preciso local onde está a ermida assim como por cima das ruinas do antigo castro e do majestoso Palácio Suevo.
Assim, quando virem um Carvalhal no topo da montanha a envolver um dos nossos muitos sanctuários, lembrem-se de que estas árvores são por ventura filhas das que alimentaram os nossos avós de gerações imemoriais.
Curioso também o facto de se verem muitos sobreiros nestes sítios específicos. O sobreiro, não sendo árvore significante no Noroeste da península (apesar de ser um Quercus, apresenta uma folha pequena e persistente o que, logicamente, vai contra o clima Atlantico-Marítimo do Noroeste), foi cultivada inicialmente por estes povos porque a sua Bolota tem menos taninos.
Por este motivo é muito menos amarga que a do Carvalho Alvarinho e necessita de menos cuidados na sua preparação. Nunca tendo provado acredito pois, quem mo disse, foi uma amiga extremamente versada nestas andanças e que, de forma ritual e também habitual, faz ainda este pão em casa, para seu consumo e da sua família, num apartamento em plena cidade de Braga.
Resumindo, costumo dizer que nessas nossas terras, mandamos um pontapé num calhau e temos história de 2000 anos a contar. Neste caso, cai-nos uma bolota na cabeça e temos antropologia para toda a noite.
No que me toca irei tentar provar esse pão primordial. Além de não ter nenhum tipo de aditivos químicos (isso ainda não chegou aos Quercus perdidos na serra e nas bouças), e sabendo que os melhores porcos são os que comem bolotas em vez de farelo e lavadura, talvez fique eu mesmo mais saboroso e de carne mais tenra!
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-bolota-mostra-o-seu-poder-1689972
sexta-feira, 13 de março de 2015
"Região Norte quer valorizar património castrejo"
Uma cultura única faz-se, recorda-se e vende-se protegendo-a na integridade para que os povos locais se consigam identificar no tempo e na geografia dispersa do que hoje é a globalização.
Uma dúzia de sítios históricos ligados é uma velha conversa com uma década de teoria. Veremos no que dá mas, pessoalmente, não trago muitas esperanças que a genuinidade única desta nossa civilização seja convenientemente promovida como a real marca de identificação das nossas gentes e do nosso território histórico e arqueológico.
Tudo menos que isso é, no que me toca, será trabalho incompleto

"Rede de Castros do Noroeste foi formalizada esta quinta-feira, um ano e
meio depois do seu lançamento, com 12 sítios dos mais de dois mil
existentes só no Norte de Portugal.".
"Onze municípios do Norte do país formalizaram esta quinta-feira com a
Direcção Regional de Cultura a institucionalização da Rede de Castros
do Noroeste, reactivando um projecto de colaboração pensado desde 2004 e
lançado há ano e meio. A partir de agora, a rede tem um regulamento de
funcionamento e de adesão de novos membros, e prepara-se para buscar nos
fundos europeus capital para investir em acções científicas e de
divulgação do património castrejo da região.
Os municípios de Boticas (Castro do Lesenho),
Esposende (São Lourenço), Monção (São Caetano), Paços de Ferreira
(Sanfins), Penafiel (Monte Mozinho), Póvoa de Varzim (Cividade de
Terroso) , Santo Tirso (Castro do Padrão), Trofa (Alvarelhos) e Vila do
Conde (Bagunte), e a Sociedade Martins Sarmento, de Guimarães (que gere a
citânia de Briteiros) são, com a Direcção Regional de Cultura, que
tutela a Citânia de Santa Lúzia, de Viana do Castelo, os fundadores da
Rede de Castros do Noroeste. Que apesar do nome, se cinge, para já, ao
território português
Desde 2004 que especialistas na área – como o
arqueólogo Paulo Costa Pinto, Armando Coelho Ferreira da Silva ou
Francisco Sande Lemos – vinham defendendo a necessidade de valorizar,
numa rede luso-galaica, o património castrejo, dada a singularidade de,
por toda esta região da península existirem mais de sete mil
assentamentos humanos proto-históricos conhecidos. Aquando da chegada
dos romanos a esta parte da Europa, a paisagem era dominada por estas
urbes fortificadas, de planta circular ou rectangular, construídas no
cimo dos montes.
A rede agora formalizada apenas inclui parceiros
portugueses e deixou de parte, para já, a ideia, apontada há uma década,
de candidatar este património à UNESCO. Dadas as disparidades no
trabalho de investigação arqueológica, e de criação de condições de
divulgação e visitação, os promotores vão concentrar-se em procurar,
através do Portugal 2020, fundos para valorizar este património, e
alargar o grupo a outros municípios interessados em prosseguir o mesmo
caminho. Só mais tarde, admitiu no director da DRCN, se analisará se o
trabalho realizado permite ambicionar essa inscrição na lista de
património mais famosa do mundo.
Nesta sessão, no Palacete Allen,
no Porto, a presidente da Câmara de Vila do Conde, Elisa Ferraz, revelou
que o município conseguiu na semana passada a posse dos cerca de 18
hectares de terreno onde está implantada a cividade de Bagunte, na
freguesia homónima deste concelho, depois de mais de seis décadas de
negociações difíceis, com intervenção judicial.
O diferendo vinha
impedindo a autarquia de fazer investimentos de fundo - fosse em acessos
ou num centro de interpretação condigno – neste castro, um dos oito
existentes no território de Vila do Conde, como explicou o arqueólogo
Pedro Brochado. Resolvida a questão da propriedade, vai ser possível
fazer campanhas de escavações mais alargadas e apresentar candidaturas a
fundos comunitários para outros equipamentos e infraestruturas, no
âmbito da rede agora constituída.
António Ponte espera que este
trabalho em rede permita sinergias e partilha de recursos entre os
vários municípios, de modo a aumentar o conhecimento existente sobre
este património. Ao mesmo tempo, os promotores esperam que a divulgação
conjunta destes espaços possa aumentar o número de visitantes e o
impacto na economia local."
In: http://www.publico.pt/local/noticia/regiao-norte-quer-valorizar-patrimonio-castrejo-1688966
segunda-feira, 31 de março de 2014
Haja quem defenda a herança Atlântica do Norte de Portugal!
É sempre um prazer verificar que existem políticos de qualidade por entre esta amalgama incoerente e inconsciente que são os Portugueses.
Rui Moreira, um nome quase unânime entre os Portuenses, é um dos que conhece a sua terra e as suas gentes. Vira-se para quem deve virar-se e desenvolvem projectos que projectam o nome e cultura da sua cidade / região em detrimento de uma subserviência passiva para com opiniões e realidades de outras terras.
Todo Portugal é Atlântico. Mas apenas o Norte tem um clima que o é mais do que Mediterrânico. Haja quem defenda o que somos e não o que os outros querem que sejamos.
A Coruña y Oporto crearán una alianza
estratégica junto con una ciudad francesa para impulsar la cocina
atlántica y proyectos en el terreno de las smart cities
Tras
dos días de trabajo, ambas ciudades avanzan en una agenda común que les
permita acceder a las próximas convocatorias europeas de finales de año
y principios de 2015.
El alcalde de A Coruña, Carlos Negreira, acompañado por su homólogo
de Oporto, Rui Moreira, informó esta mañana de los asuntos en los que
ambas ciudades comenzarán a trabajar conjuntamente, tras los encuentros
sectoriales mantenidos ayer y la reunión de trabajo que se celebró hoy
con representantes de los sectores sociales y económicos de la ciudad:
"Ha sido un encuentro fructífero en el que hemos encontrado más puntos en común de los previstos inicialmente. El turismo, la cultura, las nuevas tecnologías y la cohesión social entre ciudades marcarán nuestras prioridades", resumió Negreira, quien subrayó el impulso de la gastronomía atlántica y de las nuevas tecnologías en el ámbito de las smart cities como dos de los principales objetivos que se llevarána cabo entre A Coruña, Oporto y una ciudad francesa.
El alcalde coruñés detalló las principales líneas en las que las dos ciudades se pondrán a trabajar "cuanto antes":
- TURISMO: Tal y como explicó Carlos Negreira, se ha
alcanzado un acuerdo para la promoción turística entre ambas ciudades
de tal manera que A Coruña se promocionará en Oporto y viceversa a
través de diferentes campañas turísticas. Además, los propios
profesionales del sector turístico realizarán distintas acciones basadas
en el intercambio de experiencias.
- PROYECTOS EUROPEOS: NUEVAS TECNOLOGÍAS y GASTRONOMÍA:
Los dos ayuntamientos han empezado a trabajar en una agenda común de
proyectos europeos que les permitan participar en las convocatorias
previstas para finales de este año 2014 y principios de 2015 relativas a
las nuevas tecnologías y, en concreto, a las smart cities. También se
ha planteado potenciar la cocina atlántica a través de una acción que se
desarrollará de forma conjunta con una ciudad francesa que queda por
determinar. El alcalde recordó la importancia de diseñar proyectos
comunes a varias ciudades para optar a los fondos europes previstos en
el periodo 2014-2020, ya que la propia Unión Europea exige la
colaboración entre ciudades a través de alianzas y estrategias.
- CULTURA: Se impulsará el intercambio cultural
entre A Coruña y Oporto que pasará, por ejemplo, por aprovechar
sinergias y rotar exposiciones.
- COHESIÓN SOCIAL: Se han sentado las bases para
iniciar un programa que favorezca la cohesión entre las dos localidades a
través del fomento de visitas que permitan a los ciudadanos conocer A
Coruña y Oporto a través de un trabajo in situ. Se dirigirá a todo tipo
de población con especial incidencia en los más jóvenes.
El alcalde de A Coruña avanzó que en el mes de septiembre está previsto un nuevo encuentro,
esta vez en Oporto, al que también asistirán representantes de los
sectores sociales y económicos, para seguir avanzando en la agenda común
de las dos ciudades. Rui Moreira, por su parte, destacó la importancia de promocionar conjuntamente las dos ciudades como destino turístico fuera de Europa.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Cabeceiras de Basto em 1975 - O Povo e a Música
Porque ainda não morri.
E porque este documentário merece. Só passaram 40 anos? Parecem imagens de outra civilização.... E não é que são mesmo?
E porque este documentário merece. Só passaram 40 anos? Parecem imagens de outra civilização.... E não é que são mesmo?
sábado, 6 de outubro de 2012
Bento da Cruz - 1986 - Historias da Vermelhinha
Bento da Cruz é mais um daqueles autores através dos quais se pode respirar a plenos pulmões os perfumes do passado.
A sua obra é um hino a uma cultura desaparecida. Uns tempos diferentes em que muitos aspectos da vida eram reflexos perfeitos de antigas e misteriosas civilizações.
Em muitos dos seus contos vê-se referência a Celtas e à vizinhança com os vizinhos Galegos.
A obra de Bento da Cruz, bem que apenas virada para o relato do que era a região Barrosã há mais de 70 anos, acaba por dirigir-se para uma inevitável constatação de pertença cultural ancestral.
Tal como outros da mesma valiosa e raríssima estirpe (como Camilo, Torga etc), por falar do que vê, do que sente e do que sabe, as menções ocasionais a temas que nos dizem respeito aparecem:
Será fácil rir-se às gargalhadas com este grande contador de histórias. Facilmente nos imaginamos numa daquelas aldeias que, há bem pouco tempo "ainda floresciam de vida".
Deliciar-se com o humor ingénuo dos nossos antepassados, através da voz genuína de Bento da Cruz é não só relembrar (ou descobrir) o modo de vida dos nossos avós como, também, uma lição profunda de etnografia contada por uma pessoa que, de facto, recolheu e viveu aspectos de uma era aniquilada pelo "progresso".
Deliciar-se com o humor ingénuo dos nossos antepassados, através da voz genuína de Bento da Cruz é não só relembrar (ou descobrir) o modo de vida dos nossos avós como, também, uma lição profunda de etnografia contada por uma pessoa que, de facto, recolheu e viveu aspectos de uma era aniquilada pelo "progresso".
domingo, 2 de setembro de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Há mais Braga... para além da romana!
Boas notícias para aqueles que, como nós, reclamávamos com a insistência de certos municípios em promover uma história "a preto e branco" (mas sem o preto, ou sem o branco) para fins comerciais e de imagem.
A Braga Romana, sendo um circo que não representa absolutamente nada a realidade da época (ver aqui), não só induz gerações em erro sobre as suas origens como, mais grave ainda, permite a aniquilação da memória de uma cultura ancestral e cujos muitos aspectos, cada vez mais ténues e esbatidos pela vida moderna, fundamentam alguns dos nossos comportamentos.
Porém, de vez em quando, algumas iniciativas de valor aparecem:
Entre 19 e 22 de Julho, o centro da cidade vai ser transformado num
castro da Idade do Ferro, numa iniciativa que pretende divulgar o
povo que habitou Braga há três mil anos: os brácaros. O desafio partiu
da Associação dos Artesãos do Minho e foi de imediato acolhido pela
organização da Braga 2012: Capital Europeia da Juventude. Associam-se
ainda ao evento a JovemCoop —Jovem Cooperante Natureza / Cultura, a
Junta de Freguesia de Maximinos e o Museu D. Diogo de Sousa. O evento
vai decorrer no Largo de São Francisco, Rua do Castelo, Rua de Janes e
Largo de São João do Souto.
Além do povoado castrejo, delimitado por uma muralha com dois pórticos de entrada, o evento ‘Povoado dos Brácaros’ contará ainda com um mercado alusivo à época, uma praça da alimentação, muita música celta a animar as ruas e recriação de alguns rituais daquela época, concretamente um casamento e um funeral. A organização aposta ainda na vertente lúdico-pedagógica, com ateliers alusivos ao tema em que já estão inscritas cerca de 400 crianças que frequentam ATL’s no concelho. Destaque ainda para uma conferência sobre a cultura castreja, pelo arqueólogo Gonçalo Cruz, responsável pela Citânia de Briteiros.
Projectar a cidade mais antiga
Na apresentação do evento ‘Povoado dos Brácaros’ ontem à comunicação social, o vereador Hugo Pires realçou que um dos objectivos da CEJ passa por mostrar as nossas raízes, costumes e história.
Além do povoado castrejo, delimitado por uma muralha com dois pórticos de entrada, o evento ‘Povoado dos Brácaros’ contará ainda com um mercado alusivo à época, uma praça da alimentação, muita música celta a animar as ruas e recriação de alguns rituais daquela época, concretamente um casamento e um funeral. A organização aposta ainda na vertente lúdico-pedagógica, com ateliers alusivos ao tema em que já estão inscritas cerca de 400 crianças que frequentam ATL’s no concelho. Destaque ainda para uma conferência sobre a cultura castreja, pelo arqueólogo Gonçalo Cruz, responsável pela Citânia de Briteiros.
Projectar a cidade mais antiga
Na apresentação do evento ‘Povoado dos Brácaros’ ontem à comunicação social, o vereador Hugo Pires realçou que um dos objectivos da CEJ passa por mostrar as nossas raízes, costumes e história.
“O que aqui se pretende é isso: mostrar aos br acarenses o povo que habitou esta região antes dos romanos”, realçou, enfatizando a aposta em projectar a marca Braga como a cidade mais antiga de Portugal”.
O presidente da JovemCoop, realçou que a associação se associa à iniciativa pela sua componente histórica. Ricardo Silva sublinhou que “Braga tem muito mais para desvendar sobre a sua história”. Neste caso, o evento mostra Braga na Idade do Ferro e Ricardo Silva destaca que nas elevações em volta da cidade de Braga a cultura castreja é muito expressiva.
Deste evento, o líder da JovemCoop espera que saia a ambição de mostrar “outras Braga’s para além da romana”, porque também existe a barroca, a medieval e muitas mais.
“Braga é poli cronológica. A JovemCoop defende que a sua história deve ser contada como um todo e não apenas dando destaque a um período”, argumentou.
Já Perpétua Ferreira, técnica do serviço educativo do Museu D. Diogo de Sousa, explicou que os ateliês para crianças vão decorrer nos dias 19 e 20, sublinhando a elevada adesão dos ATL ao evento. Realçou ainda que as crianças vão trabalhar sobretudo com materiais reciclados.
Luís Pedroso, em representação da Junta de Freguesia de Maximinos, elogiou a iniciativa da Associação dos Artesãos do Minho e a reafirmou a disponibilidade da autarquia local apoiar o evento naquilo que lhe for possível. O repto está lançado: durante quatro dias os bracarenses são convidados a recuar três mil anos e conhecer como era Braga na Idade do Ferro.
http://www.correiodominho.pt/noticias.php?id=62701
Não espero nada de especial deste evento que, certamente, não terá qualquer semelhança em dimensão com a Braga Romana.
Porém, quando não há pão, até as migalhas vão.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Do outro lado do rio
Interessante projecto em que estudantes Galegos vieram, durante um mês, descobrir o povo do Porto. Mas não foi só o povo do Porto. Foi também a língua Portuguesa, a cultura dos seus vizinhos "Do outro lado do rio".
Pena é que não hajam mais iniciativas do tipo. Ainda mais penha tenho que, nesta relação de irmãos, apenas os Galegos de hoje se interessem pelos Portugueses. Os Portugueses, esses, raramente se interessam pelos Galegos.
A língua, que os Galegos tanto estimam (tanto a variante deles como a nossa), é uma fonte de interesse e de descoberta pessoal. Porém, se eu fosse Galego, perguntar-me-ia porque é que é comum interessar-se pela língua dos Portugueses e, os Portugueses, tão pouco se importarem com a Galega.
É que nesta coisa complicada, e falo do Galaico Lusitanizado e do Galaico Castelhanizado, nenhuma vale mais do que a outra. São ambas duas faces da mesma moeda.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
domingo, 11 de março de 2012
A Seca!
O Noroeste ibérico é uma região atípica dentro da península ibérica.
A sua verdura estonteante tem impressionado olhos, corações e inspirado as almas dos poetas (pelo menos até ao início da devastação urbanística moderna) desde sempre. O contraste paisagístico entre o Sul/Interior e o Noroeste é brutal e, como o homem é resultado do ambiente onde vive, também as pessoas são diferentes.
Escusado será dizer que toda essa riqueza paisagística e humana é fruto de um elemento específico. Nele podemos concentrar todas as razões para sermos o que somos e termos vivido de uma determinada forma até ao presente.
Falo da ÁGUA.
A chuva, oriunda das superfícies frontais, por norma frequentes no NO, é uma visitante tradicional das nossas terras durante muitos meses do ano. A orografia da região, com as suas montanhas que chegam aos 1500m a curta distância do litoral, transformam nebulosidade em precipitação em dias que, no resto do litoral Ibérico, apenas se vêem nuvens altas. Assim, o Maciço Gereziano e seus adjacentes (Cabreira, Barroso, Xurês etc) tornam-se dos pontos com maior pluviosidade da Europa com cerca de 3000mm anuais. Esta abundância é depois repartida através de milhares de riachos e ribeiros que desaguam nos muitos rios da região fertilizando, ao mesmo tempo que produzem força mecânica, os verdejantes vales.
A quantidade de chuva que habitualmente nos chega permitiu que o nosso modo de vida, e paisagem, fossem considerados "Atlânticos", mais típicos da Europa média, do que propriamente Ibéricos ou "Mediterrânicos", como alguns mais distraídos ainda nos querem adjectivar.
A cultura do Milho Grosso, o cultivo do Campo / Prado, a policultura e a imensa variedade de actividades (Litoral, Ribeirinha, de Vale, de Montanha etc.) presentes nesta região apenas é (foi) possível devido às características de uma terra que, em pleno Agosto, conseguia tratar de milhares de hectares de milherais em regime de regadio aberto enquanto grande parte da península sofria dos malefícios de uma estação quente prolongada e intensa. Coisa que, no NO, não era comum.
Falamos deste tema da seca porque, efectivamente, estamos a viver o PIOR ANO DESDE QUE HÁ REGISTOS EM PORTUGAL. Ou seja, desde 1931 que não tínhamos um inverno tão seco. De Janeiro a Março a precipitação ocorreu apenas em 4 dias e conseguimos encontrar-nos em seca EXTREMAMENTE SEVERA em pleno Inverno.
Silenciosa, e persistente, estamos a presenciar a seca mais catastrófica de que há memória.
__________________________________________________________

Ainda a semana passada fui lanchar a uma célebre taberna regional onde encontrei o Sr. Ribeiro. Um homem perto dos seus 80 anos. Nascido lavrador à moda antiga e que, como os da sua geração, fez vida no estrangeiro. Voltou para passar os seus "dias de Ouro" cultivando os campos a seu belo prazer.
Hoje, quase cego, lamenta-se de que nunca vira um ano como esse. Poço quase vazio, erva para o gado que não cresce, fruteiras e videiras a rebentar meses antes da hora.
Conversando um pouco, lá me revelou como, no tempo dele, as pessoas lidavam com as secas que, aparecendo de vez em quando, mas nunca com a frequência e dimensão das que temos verificado nas últimas duas décadas, assolavam as suas terras e punham em causa a sobrevivência alimentar do ano.

"Bem, isso não é do teu tempo! Nem se calhar do do teu pai! Mas olha, lembro-me de um ano, que de Março a Julho nem uma gota caiu. A terra parecia pó e o milho, que tinha de ser regado, estava prestes a secar. E já muito prejuízo havia por aí fora. O rio Ave nem conseguia que os moinhos trabalhassem, mais parecia um ribeiro!
Ora, quando isso acontecia, o povo reunia-se e subia à Santa Marta das Cortiças. Fazíamos uma procissão e vinha povo do lado de Braga e do lado de Guimarães. Tirávamos a Santa da ermida, davam-se 3 voltas à mesma e passava-se pelos passos que lá estão. Uma vez disseram-me que até foram até à Sé de Braga com a imagem tal era a aflição. É que naquele tempo se não se colhesse podia-se morrer de fome!"
" Mas olha que não era só essa procissão que se fazia! Também em Briteiros, subíamos ao monte da Citânia, que se chama São Romão, e fazíamos o mesmo. Ia tudo por lá fora a rezar, entrávamos na cidade dos "Mouros" e trazíamos a imagem do Santo que estava lá na ermida. Descíamos até a aldeia e voltávamos a levá-la para cima."
"Se queres que te diga sei lá se dava resultado ou não. Mas sei que quando o fazíamos chovia passado algum tempo. Mas por certo que iria chover mais cedo ou mais tarde. Era a nossa fé, é o que era. Antigamente Deus mandava. Agora ninguém manda em nada."
Após essa pequena conversa, que não foi propriamente reveladora, pois esse tipo de tradições é bastante comum, (apesar de ganhar sempre encanto quando o orador fala de algo que presenciou e que nunca mais será repetido), choveu durante dois dias seguidos. Uns míseros 15 mm que apenas veio limpar o pó do ar.
Ainda acerca destes comportamentos de fé, fica a participação do Fernando Barros:
"... Num noroeste profundamente rural até há poucas décadas, e bastante agrícola ainda nos dias de hoje, anos de seca eram anos de fome, má produção agrícola, desespero. Se hoje em dia as crises e prosperidades se regem por princípios economicistas, especulação bolsista, ratings, FMI's, troikas e outras coisas que tal, antigamente crise e prosperidade era completamente dependente de pragas, pestes, e sobretudo do clima; bons e maus anos agrícolas estavam intimamente dependentes desse factor...
Em anos de seca organizavam-se os chamados "clamores", que da Igreja de Refoios romavam dezenas de quilómetros até à de S. Pedro do Vale, pelo caminho outros romeiros, agricultores sedentos de chuva a eles se juntavam. Vinham cantando e pedindo a chuva que lhes regaria os campo, traziam como oferta razas de milho e feijão. Reza a história que na ida já os primeiros chuviscos de faziam sentir... milagrosa a santa...
E a tradição acabou...
A sua verdura estonteante tem impressionado olhos, corações e inspirado as almas dos poetas (pelo menos até ao início da devastação urbanística moderna) desde sempre. O contraste paisagístico entre o Sul/Interior e o Noroeste é brutal e, como o homem é resultado do ambiente onde vive, também as pessoas são diferentes.
Escusado será dizer que toda essa riqueza paisagística e humana é fruto de um elemento específico. Nele podemos concentrar todas as razões para sermos o que somos e termos vivido de uma determinada forma até ao presente.
Falo da ÁGUA.
A chuva, oriunda das superfícies frontais, por norma frequentes no NO, é uma visitante tradicional das nossas terras durante muitos meses do ano. A orografia da região, com as suas montanhas que chegam aos 1500m a curta distância do litoral, transformam nebulosidade em precipitação em dias que, no resto do litoral Ibérico, apenas se vêem nuvens altas. Assim, o Maciço Gereziano e seus adjacentes (Cabreira, Barroso, Xurês etc) tornam-se dos pontos com maior pluviosidade da Europa com cerca de 3000mm anuais. Esta abundância é depois repartida através de milhares de riachos e ribeiros que desaguam nos muitos rios da região fertilizando, ao mesmo tempo que produzem força mecânica, os verdejantes vales.
A quantidade de chuva que habitualmente nos chega permitiu que o nosso modo de vida, e paisagem, fossem considerados "Atlânticos", mais típicos da Europa média, do que propriamente Ibéricos ou "Mediterrânicos", como alguns mais distraídos ainda nos querem adjectivar.
A cultura do Milho Grosso, o cultivo do Campo / Prado, a policultura e a imensa variedade de actividades (Litoral, Ribeirinha, de Vale, de Montanha etc.) presentes nesta região apenas é (foi) possível devido às características de uma terra que, em pleno Agosto, conseguia tratar de milhares de hectares de milherais em regime de regadio aberto enquanto grande parte da península sofria dos malefícios de uma estação quente prolongada e intensa. Coisa que, no NO, não era comum.
Falamos deste tema da seca porque, efectivamente, estamos a viver o PIOR ANO DESDE QUE HÁ REGISTOS EM PORTUGAL. Ou seja, desde 1931 que não tínhamos um inverno tão seco. De Janeiro a Março a precipitação ocorreu apenas em 4 dias e conseguimos encontrar-nos em seca EXTREMAMENTE SEVERA em pleno Inverno.
Silenciosa, e persistente, estamos a presenciar a seca mais catastrófica de que há memória.
__________________________________________________________

Ainda a semana passada fui lanchar a uma célebre taberna regional onde encontrei o Sr. Ribeiro. Um homem perto dos seus 80 anos. Nascido lavrador à moda antiga e que, como os da sua geração, fez vida no estrangeiro. Voltou para passar os seus "dias de Ouro" cultivando os campos a seu belo prazer.
Hoje, quase cego, lamenta-se de que nunca vira um ano como esse. Poço quase vazio, erva para o gado que não cresce, fruteiras e videiras a rebentar meses antes da hora.
Conversando um pouco, lá me revelou como, no tempo dele, as pessoas lidavam com as secas que, aparecendo de vez em quando, mas nunca com a frequência e dimensão das que temos verificado nas últimas duas décadas, assolavam as suas terras e punham em causa a sobrevivência alimentar do ano.
"Bem, isso não é do teu tempo! Nem se calhar do do teu pai! Mas olha, lembro-me de um ano, que de Março a Julho nem uma gota caiu. A terra parecia pó e o milho, que tinha de ser regado, estava prestes a secar. E já muito prejuízo havia por aí fora. O rio Ave nem conseguia que os moinhos trabalhassem, mais parecia um ribeiro!
Ora, quando isso acontecia, o povo reunia-se e subia à Santa Marta das Cortiças. Fazíamos uma procissão e vinha povo do lado de Braga e do lado de Guimarães. Tirávamos a Santa da ermida, davam-se 3 voltas à mesma e passava-se pelos passos que lá estão. Uma vez disseram-me que até foram até à Sé de Braga com a imagem tal era a aflição. É que naquele tempo se não se colhesse podia-se morrer de fome!"
" Mas olha que não era só essa procissão que se fazia! Também em Briteiros, subíamos ao monte da Citânia, que se chama São Romão, e fazíamos o mesmo. Ia tudo por lá fora a rezar, entrávamos na cidade dos "Mouros" e trazíamos a imagem do Santo que estava lá na ermida. Descíamos até a aldeia e voltávamos a levá-la para cima."
"Se queres que te diga sei lá se dava resultado ou não. Mas sei que quando o fazíamos chovia passado algum tempo. Mas por certo que iria chover mais cedo ou mais tarde. Era a nossa fé, é o que era. Antigamente Deus mandava. Agora ninguém manda em nada."
Após essa pequena conversa, que não foi propriamente reveladora, pois esse tipo de tradições é bastante comum, (apesar de ganhar sempre encanto quando o orador fala de algo que presenciou e que nunca mais será repetido), choveu durante dois dias seguidos. Uns míseros 15 mm que apenas veio limpar o pó do ar.
Ainda acerca destes comportamentos de fé, fica a participação do Fernando Barros:
"... Num noroeste profundamente rural até há poucas décadas, e bastante agrícola ainda nos dias de hoje, anos de seca eram anos de fome, má produção agrícola, desespero. Se hoje em dia as crises e prosperidades se regem por princípios economicistas, especulação bolsista, ratings, FMI's, troikas e outras coisas que tal, antigamente crise e prosperidade era completamente dependente de pragas, pestes, e sobretudo do clima; bons e maus anos agrícolas estavam intimamente dependentes desse factor...
E como muitas das vezes o povo "só se lembra de Santa Bárbara quando troveja", em tempos de seca faziam-se promessas, oferendas e sobretudo romagens pedindo chuva a todos os santos e mais alguns...
Sant'Ana mandai-nos água
Por vosso devino amor
Respondia o bêbado, no meio da procissão:
"p'ra mim BINHO
Senhor'Ana faz favor..."
Na minha terra (S. Pedro do Vale, Arcos de Valdevez), reza a lenda que a Senhora aparecida entre penedos próximo do local onde se situa a Igreja Paroquial setecentista, esteve em tempos em Refóios do Lima, então também pertencente às Terras do Valle do Vez e a devoção das gentes de Refóios à Senhora do Vale perdurou.
Em anos de seca organizavam-se os chamados "clamores", que da Igreja de Refoios romavam dezenas de quilómetros até à de S. Pedro do Vale, pelo caminho outros romeiros, agricultores sedentos de chuva a eles se juntavam. Vinham cantando e pedindo a chuva que lhes regaria os campo, traziam como oferta razas de milho e feijão. Reza a história que na ida já os primeiros chuviscos de faziam sentir... milagrosa a santa...
No entanto, além dos chuviscos (água) que vinham pedir, no caminho de regresso havia também o habitual molho (porrada) que se devia sobretudo às pingas, não de chuva mas de VINHO VERDE que lhes escorregavam pelas goelas no caminho de volta. E reza a lenda que, nesse caminho de regresso, a cruz processional e os paus das bandeiras, eram óptimos auxiliares de contendas, que o nosso povo sempre foi óptimo jogador de pau... e assim, porrada na romaria, vandalização e mau uso das alfaias agrícolas e os padres chateavam-se.
E a tradição acabou...
Acabou não só a tradição das romagens como também a forte dependência das culturas agrárias e, assim sendo, do clima .Há muitos anos que Refoios não vem ao Vale mas fica a tradição e a lenda..."
__________________________________________________________
Mais do que um mero relato acerca de antigos comportamentos, o que mais nos marca era a forma atenta como as gentes olhavam para a realidade. Porque, efectivamente, realidade é a Natureza. É o céu, a terra, a água, o fogo. São as estações, os frutos e tudo demais que nos permite viver.
Quando, hoje em dia, se ouvem comentários de pessoas que se congratulam por termos um inverno de Sol e sem chuva, não sei se o mundo evoluiu ou regrediu. Para todos os efeitos, em termos Humanos, nunca estivemos num buraco tão fundo.
Mais do que um mero relato acerca de antigos comportamentos, o que mais nos marca era a forma atenta como as gentes olhavam para a realidade. Porque, efectivamente, realidade é a Natureza. É o céu, a terra, a água, o fogo. São as estações, os frutos e tudo demais que nos permite viver.
Quando, hoje em dia, se ouvem comentários de pessoas que se congratulam por termos um inverno de Sol e sem chuva, não sei se o mundo evoluiu ou regrediu. Para todos os efeitos, em termos Humanos, nunca estivemos num buraco tão fundo.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Profissões Antigas: Carvoeiros
Interessante vídeo que demonstra uma antiga forma de produção de carvão que, obviamente, já não se observa hoje em dia.
Esse é mais um dos muitos ofícios que desapareceram nas últimas décadas. Fica a memória!
Esse é mais um dos muitos ofícios que desapareceram nas últimas décadas. Fica a memória!
sábado, 7 de janeiro de 2012
Citânias de Briteiros e Sanfins à conversa!
Dois Podcasts interessantes acerca de duas das maiores Citânias do do Noroeste Peninsular.
A rádio TSF reuniu dois painéis de académicos que conversaram acerca da Cultura Castreja, os seus problemas, história, mitos e futuro.
A rádio TSF reuniu dois painéis de académicos que conversaram acerca da Cultura Castreja, os seus problemas, história, mitos e futuro.
Citânia de Sanfins:

CLIQUE AQUI PARA OUVIR O PODCAST
Citânia de Briteiros

CLIQUE AQUI PARA OUVIR O PODCAST
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















