sexta-feira, 28 de novembro de 2008

As Nicolinas Vimaranenses

Guimarães, onde se diz ter nascido Portugal, vive este fim de semana mais umas das muitas festividades regionais e, eventualmente a que mais marca a cidade.

Esta celebração é relativamente recente se a compararmos com as festas populares e outras manifestações anuais que o nosso povo perpetua sem saber muito bem porquê. Na verdade as Nicolinas não são mais que a festa dos estudantes da cidade e de toda uma classe de "Nicolinos" que o passam a ser para sempre. Contudo, as origens desta manifestação é imprecisa e alguns defendem que perde no tempo...

Mistura-se simbologia, e orgulho com a ironia e irreverência (muitas vezes desmedida como se pode verificar nos inúmeros excessos de comas alcoólicos e cenas de pancadaria) de uma alegria contagiante. Minerva para o conhecimento, o Pinheiro mais alto como símbolo fálico da juventude e até Cupido para demonstrar que a rapaziada não esquecia as "rapazas" que originalmente não podiam participar nesta coisa de homens.

O dia mais importante e que desperta mais interesse em todos os jovens da região é o dia 29 de Novembro. O dia do PINHEIRO.

"O desfile do Pinheiro, e o seu levantamento num recanto de destaque da cidade, revestiu-se tradicionalmente de uma simbologia especial. Era ao Pinheiro levantado que competia anunciar o início das Festas Nicolinas. Ele aparecia - e aparecerá sempre, enquanto número fundamental das Festas dos Académicos de Guimarães - como uma espécie de prelúdio, de introdução a tudo o mais que os Estudantes se dispõem a realizar durante os oito dias que duram os festejos em honra de São Nicolau. (...)

O Pinheiro é o anunciador dos Festejos Nicolinos. Conduzem-no os Estudantes em cortejo festivo, e erguem-no ao céu para "anunciar" à cidade expectante que, com o fim de Novembro, uma vez mais algo de extraordinário está para acontecer em Guimarães - A Festa dos seus Estudantes.

Não é conhecida a data precisa em que o cortejo do Pinheiro saiu à rua pela primeira vez. As suas raízes, porém, ligam directamente a tradições populares muito antigas e com elas se perdem no tempo. (...)

Por toda a tarde de 29 de Novembro os Estudantes percorriam em bandas as ruas de Guimarães, massacrando as peles dos bombos e das caixas, os músculos dos braços, a carne das mãos ... e os ouvidos dos citadinos.

Desde o princípio deste século era costume os Estudantes do Liceu dirigirem-se à Escola Industrial, obrigando os professores, com a insistência dos toques, a "libertar" os alunos das aulas, de modo que também eles pudessem aproveitar alguma coisa da celebração e da farra desse dia. (...)

A abrir o cortejo do Pinheiro, iam grupos ruidosos de Estudantes, os "zabumbas", que atacavam furiosamente os bombos e as caixas. Vestiam camisolas de lã grosseira e cobriam a cabeça com os tradicionais gorros. Por vezes, vestiam-se de modo sugestivo e até (se as interdições não tinham lugar) colocavam uma máscara na cara. À cabeça do grupo, seguia o "chefe dos bombos", comandando com a "maçaroca" a Banda Nicolina. (...)

Numa tradição mais recuada, abria o cortejo um grupo de Estudantes a cavalo envoltos em lençóis brancos. Outros Estudantes os seguiam, a pé e a cavalo mascarados das formas mais grotescas, como se se tratasse de uma revivificação do Carnaval. E usavam ainda camisas de dormir, saias, chapéus de coco e penicos na cabeça, e até sobrecasaca e fraque.

Seguia-se, no cortejo, um número variável de juntas de bois. Anos havia em que as juntas que acolitavam o Pinheiro eram infindáveis. Chegavam a ser dezenas e dezenas, passando por vezes a centena. Por isso o desfile demorava três, quatro e mais horas. Não porque o percurso fosse mais dilatado do que hoje; mas pela sua extensão em carros, indiscutivelmente superior, e porque durante a sua passagem se iam desenvolvendo manifestações festivas.

À frente das juntas de bois, seguiam filhos de lavradores, rapazes e raparigas, exibindo trajes regionais. Os próprios bois eram enfeitados com elementos de tons alegres. Chegava depois a vez dos carros alegóricos, com motivos alusivos a situações do ensino ou a qualquer acontecimento epocal mais marcante. Não tinham número definido, ficando ao critério e imaginação dos Estudantes tanto a sua figuração como o seu aparecimento.

Um carro de certa maneira obrigatório era o que invariavelmente os Estudantes dedicavam a Minerva, a deusa da mitologia grega para a sabedoria e o trabalho intelectual. (...) A intenção dos Estudantes era simbolicamente a de que a deusa lhes assegurasse êxito nos estudos, e lhes concedesse, anualmente, o inestimável milagre ( já nesse tempo se tratava de um milagrão) de esse êxito ser conseguido com o mínimo possível de empenhamento e o dispêndio apenas do estritamente necessário do seu tempo com o folhear de papéis e a leitura de letra de forma. (...)

Outro carro que também aparecia muitas vezes (o que não deixa também de ser significativo - e ao mesmo tempo natural) era dedicado a Cupido, o deus do Amor, representado nuzinho, rechonchudinho, levando maçãs na ponta das setas e com elas ateando o fogo das paixões no campo para elas sempre fértil que é o coração da juventude ...

Só então aparecia o elemento nuclear da festa - o Pinheiro. Originariamente, ele era enfeitado, pintado mesmo, com as cores escolásticas - o verde e o branco. A bandeira escolástica, onde se representava igualmente a figura de Minerva, era verde e a fita com a medalha de São Nicolau, que os Estudantes colocavam ao pescoço nas cerimónias religiosas, era branca.

Os adornos do Pinheiro consistiam essencialmente em bandeiras, lâmpadas alimentadas a óleo, balões, festões, arbustos e verdura. A intenção era fazer com que ele não desmerecesse a sua qualidade de centro da festa. A ladeá-lo, seguiam os Estudantes, muitos deles mascarados, ajaezados com adereços carnavalescos, iluminando o caminho com lâmpadas, velas a archotes. Tudo isto sem dúvida que dava ao cortejo (facilmente se adivinha que talvez até mais que hoje) o tom feérico de uma maravilha oriental.

O Pinheiro era oferecido por uma família rica de Guimarães, sendo escolhido pelo seu porte, o seu aprumo e imponência. Era por aí que se avaliava a abastança da casa que o cedia. (...)

Depois da cerimónia, a noite sempre foi de tudo menos de dormir. Ainda hoje, numa tradição que se mantém, os Estudantes, dando largas à sua natural jovialidade, dispersam-se pela cidade em grupos e toda a noite tocam os tambores.

»»Fonte««
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As festas Nicolinas são uma marca de Guimarães como cidade e a exultação máxima da expressão de pertença ao seu meio académico.

E esta expressão tem um som característico. Como citado no texto acima, estas festividades misturam o presente com o passado. Quem sabe de onde vem este ritmo contagiante que se repete todos os anos...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Os Castros!

Aqui há uns meses, tive que ir para os lados da Galiza a fim de comprar uma gaita-de-foles. Lá consegui levar como companhia, rapaziada dos seus 18 a 20 anos extasiados de curiosidade.

Tendo como destino a cidade de A Guarda (do outro lado de caminha), aproveitei logicamente para visitar o maravilhoso Castro de Santa Tecla.

Pois bem, abriram-se novos horizontes para aquela cambada nova. Um castro era uma autêntica novidade para aqueles espíritos. Os monumentos mais antigo que eles conseguiam referir eram: as pontes romanas!

Tendo em conta cerca de 12 anos de ensino público, foi uma autêntica mágoa para mim e para eles! Desconfio que o ensino nestas matérias tem regredido, pois na minha altura de telescola (5º e 6º ano), já se falava de castros inclusive visitas de escola. Mas talvez fosse apenas sorte minha.

Os castrejos são, provavelmente, os nossos antepassados mais directos. Mesmo não o sendo geneticamente para alguns de nós galaicos será, incontestavelmente, a nível etnográfico como temos vindo a referir aqui no ogalaico.


Mas afinal o que é isso de castro, castrejos e cultura castreja?

A partir do século VI a.c., numa ampla zona do noroeste da Peninsula Ibérica, entre os rios Douro e Návia e a Oeste do Maciço Galaico, desenvolveu-se um tipo muito peculiar de assentamentos, chamados Castros, diferentes de outras áreas da península.

Os castros eram povoados fortificados situados num lugar estratégico para facilitar a sua defesa. Tinham também que dispôr de acesso fácil a recursos alimentícios e água, pelo que se situavam habitualmente entre a zona de montes e prados e a de bosque e cultivos.

Castros já existiam durante o Neolítico e a Idade do Bronze, muito antes das invasões Céticas. Julga-se que a Cultura Ibérica desses povoados se misturou com os elementos céticos sem quebras de continuidade.

O Céltico, provavelmente o dialecto Goidélico, tornou-se a lingua franca de toda a Cultura Atlântica. Muitos dos megalitos da Idade do Bronze como menires e dólmenes estão situados em regiões em que também há castros, e são anteriores aos Celtas quer em Portugal e na Galiza, quer na costa atlântica da França, Grã-Bretanha e Irlanda. Estes monumentos continuaram a ser utilizados pelos druídas celtas.

Os povos castrejos, um povo marcadamente tribal, (já conhecidos pelos Gregos com o nome de "Kallaikoi", ou seja, Galaicos) foram definitivamente derrotados pelos Romanos no ano 19a.C., invadidos desde a Lusitânia pelas tropas de Décimo Júnio Brutos - o Galaico.

Nos quase cinco séculos de dominação romana, o noroeste peninsular passou por diferentes fórmulas organizativas: províncias, dioceses, conventus, municípios, etc.

Para controlar a província romana da Gallæcia os romanos tiveram em conta a homogeneidade e particularidade cultural anterior à conquista, servindo-se da organização preexistente, uma organização caracterizada pela existência de diferentes povos (populi), cada um deles integrado à sua vez por um certo número de núcleos de povoação (compostos por castros ou “castella”).

Os Romanos destruíram muitos castros, devido à resistência feroz dos povos castrejos ao seu domínio, mas alguns foram aproveitados e expandidos como cidades romanas. Segundo Jorge de Alarcão "Aos castros, deram os Romanos o nome de castella, que aparece nas inscrições do século I d.C. sob a forma abreviada de um C invertido"

A equipa de ogalaico apela a todos os galaicos para quando tiverem indecisos quanto ao que fazer num feriado, fim-de-semana ou período de férias, pensem numa visita aos nossos fantásticos castros da galécia.
São cerca de 7 mil em toda a região do noroeste atlântico, muitos dos quais em processo de avaliação para candidatura à UINESCO.

Alimentem os espíritos com os testemunhos desta pujante “civilização” castreja que marcou toda a faixa atlântica norte! Um legado que é nosso!
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Fontes

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Símbolos mágicos no Popular Galaico!

Em seguida ao oportuno comentário de Maria no último Post segue um pequeno exemplo de como os símbolos mágicos presentes no religioso pré-romano permaneceram presentes até bem pouco tempo.

De facto, até poucas décadas, o Norte de Portugal assemelhava-se mais a uma terra na idade média do que a outra coisa.

Citando Maria que, por sua vez citou Joaquim de Vaconcellos:

"Os desenhadores dos seculos XI a XII recorreram provavelmente aos pergaminhos ecclesiasticos, illuminados, da epocha, onde se inspiraram; mas não foram simples copistas; recorreram tambem a symbolos ancestraes de mui remotas epochas. Já escrevi e demonstrei em outro logar em 1908 que me parece evidente o effeito de uma decoração prehistorica e protohistorica, dependente de influencias exclusivamente locais e nitidamente nacionaes, tão nacionaes que ainda hoje se revelam na admiravel e variadissima decoração dos nossos jugos nas provincias do Norte e nos artefactos ceramicos das mesmas provincias. Esta aproximação é o resultado de reflectido e demorado estudo, que não posso sequer resumir aqui, mas que se baseia no confronto de numerosas illustrações minhas, ineditas e em exemplares das artes domesticas e das alfaias rusticas, colleccionados desde 1877 e comparados n'um estudo histórico, impresso em 1879. Os jugos do Minho, Entre Douro e Minho, e de parte da Beira Alta, são traduções em madeira mais ou menos fieis de decorações romanicas em pedra."

Exemplificando:

Pentagrama (S. Francisco - Porto): Símbolo associado a todas as crenças esotéricas e a ainda mais disparates propagandistas que podemos imaginar.


Levantamentos nos jugos de Bois:

Num espigueiro:


Suástica Pré-Romana:



Representação nos jugos de Bois:

No Portal de um Espigueiro:


Hexapétala Pré Romana:


Presença em elementos comuns da vida agrícola neste caso, contemporâneos por estarem a ser representados por um rancho folclórico (note-se igualmente o pentagrama):


E num espigueiro Galaico -Asturiense:


No fundo, estes símbolos com origens ancestrais ganharam uma conotação intemporal de protecção contra azares, demónios, maus olhados ou poderes obscuros. Por isso eram colocados em portais de igrejas e em tudo o que se relacionasse com a vida agrícola.

Num tempo onde as pessoas dependiam exclusivamente de si próprias e onde o misticismo se misturava com uma religiosidade profunda, estas representações faziam parte das crenças protectoras milenares do povo.

Frequentemente, esta reverência pagã nos rituais agrícolas chegava a ser acompanhada por autênticas frases mágicas:


Os símbolos, rituais e frases mágicas faziam parte da vida do dia a dia dos nossos antepassados. Hábitos adquiridos fruto de uma evolução natural. Para todos os momentos da vida haviam processos pagãos capazes de atrair sorte e protecção.

Basta consultar este documento para o constatar:

http://www.instituto-camoes.pt/cvc/bdc/etnologia/opusculos/vol05/opusculos05_397_434.pdf

domingo, 16 de novembro de 2008

O Românico Galaico: Uma Arte Indígena


De muitas formas se distinguem nações, etnias e culturas. A maioria das vezes, as fronteiras dos estados actuais nada representam para além de uma época específica da história de determinada região que acabou por redefinir os limites de certa autoridade. Fora destes limites, e desta autoridade, ficam divididos os anónimos responsáveis pela definição de quem e o que é a verdadeira nação: O Povo.

Quem visitar o Norte de Portugal e a Galiza tendo em conta o conceito de "Novo Turista", ou seja, aqueles que visitam de olhos abertos à procura da essência e da genuinidade responsáveis pela atracção das massas deste negócio global, poderá facilmente encontrar variadíssimos aspectos que testemunham a existência de uma cultura específica e mais ou menos restrita ao Noroeste Peninsular.

Primeiro reconhecimento da cultura Galaica: Cultura Castreja


Um dos mais exuberantes, significativos, belos e misteriosos pontos em comum entre estas (agora) duas regiões é a Arte Românica. Sobre esta manifestação arquitectónica poderão os leitores insinuar que existem em toda a Europa ocidental e que pouco tem de "Indígena". Obviamente, este movimento veio como quase sempre de França onde eram construídas as maiores mais belas catedrais cristãs porém, no caso Galaico, estas influencias foram absorvidas dentro de um contexto histórico e sócio-cultural muito específico.

De facto, após o domínio diabólico do maior castrador cultural visto pelas terras de Cal-Leach (São Martinho de Dume), que até então proibiria a representação iconográfica nos santuários por estes estarem por vezes associados ao paganismo (como se o catolicismo não estivesse construído sobre suas fundações), observamos uma ruptura total que libertou toda a criatividade dos pedreiros assim como permitiu a exultação simbologia Galaica:


De facto, nestes primórdios do reino de Portus Cale e da nacionalidade, quando ainda estava bem fresca nas tradições, história e política da época ,a indissociabilidade do Norte de Portugal e da Galiza, emergiu todo um novo mundo de possibilidades que hoje testemunham que estas regiões viviam a mesma realidade. São Tiago de Compostela e o peso que tinha naquele tempo e Braga que continuou a exercer autoridade de relevo influenciaram-se uma à outra fazendo nascer um tipo de construção religiosa única com marcas bem distintas que não encontram comparação em qualquer outro lado dos dois países.

Para G.Vaillard, um dos mais importantes estudiosos da arte românica Portuguesa:

" L'exemple de l'art roman portuguais est précisément l'un de ceux ou l'abus de la notion d' influence risque le plus de fausser les jugements"

Ou seja, quer com isso dizer que o exagero do estudo das influencias externas na evolução do românico Português, pode falsificar a verdade das conclusões pois este é mais que um resultado das origens externas mas sim uma criação nova.

Vaillard refere ainda a ideia de que a utilização do granito (desde a época castreja) não permitia a refinação das linhas mas sim a evolução das formas o que veio a marcar mais tarde o próprio estilo Manuelino.

Observemos por exemplos as estranhas cruzes vazadas que são presença constante no românico do Noroeste. Algumas destas cruzes tem o seu quê de crenças esotéricas e de misteriosidade. Desde associações a protecções mágicas, às cruzes dos templários, à ordem de Malta e até a relações ao mundo Céltico (na minha óptica, um erro claro) pela forma entrelaçada de algumas delas, estas mostram um padrão comum que apenas é visto (a não ser raras excepções) nesta particular região da península Ibérica.

Muitos dos elementos românicos apropriam-se da mitologia milenar autóctone sobrepondo-a até à religiosidade católica.

Bembrive - Galiza:


"Importa conhecer a antropologia do portal principal das igrejas românicas, já que é aí que se concentra uma boa parte da escultura. O portal ocidental da igreja era concebido como Porta do Céu ou como Pórtico da Glória. A vontade de proteger as entradas terá conduzido à representação de programas sagrados, à inclusão de escultura como a de animais assustadores e a sinais de valor mágico, ou seja, motivos escultóricos como cruzes e rodas solares, capazes de defender as entradas e de proteger a igreja."


Tomamos por exemplo estas curiosas cruzes que se encontram cá e lá do rio Minho:

Pitões das Junias:


Serzelo - Guimarães:


Correlhã - Ponte de Lima


Cruzes Galegas retiradas do livro de Castelão: "As Cruces de pedra en Galicia":




Mais do que uma cultura regional, esta vai buscar influencias milenares. Em muitos casos, as crenças populares permaneceram no povo que acabaram por representar as suas crenças na arte religiosa românica.

Tomemos o exemplo dos Triskeis Galaicos que se encontram gravados em pedra por todos os Castros e Citânias da idade do ferro.

Triskel de Briteiros:



Este símbolo, já debatido em: http://ogalaico.blogspot.com/2008/07/o-triskel-ou-sustica-galaica.html, aparece em vários exemplos do Românico do Noroeste:

Igreja da Santa Maria - Monterrei:


Sé de Braga:

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Outras representações sugestivas são por exemplo o seguinte nó e a sua estranha semelhança com elementos das pedras Formosas de Briteiros e Famalicão:

Correlhã - Ponte de Lima:



Pedra Formosa de Briteiros (Idade do Ferro):


Meramente como nota de interesse fica um exemplo Irlandês. Diz-me qual é a tua Arte e dir-te-hei quem és...


Os pórticos de alguns exemplares românicos desta área são exemplares no que toca a demonstrar a união entre as duas regiões. Cruzes de Santo André, figuras Zoomórficas e os interessantes Agnus Dei (Cordeiro de Deus) são frequentemente identificáveis:

Porticos da Galiza:



Porticos do Norte de Portugal:



São também comuns as hexapetalas. Símbolo Céltico por excelência que representa para alguns a roda solar ( que o Deus Gaulês Aramis carrega às costas) Um hábito que também existia na civilização Castreja onde aparecem freqentemente.

Hexapétalas Romanicas:



Hexapetalas Castrejas de Briteiros (com 2ooo a 3000 anos):



Podia-mos continuar a mostrar exemplos atrás e exemplos de símbolos que perduram até hoje através do tempo.

O românico é a melhor forma de ler a a cultura original do povo Galaico. Através desta arte que nos é própria conseguimos ler através do tempo. O estudo e a observação destas nossas catedrais, da mais modesta às mais imponentes é uma delícia para os nossos sentidos. Simbologia esquecida, seres do além, magia pagã em fusão com o catolicismo inflexível.

Heis o Românico da Galécia. Uma Arte INDÍGENA.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Verão de São Martinho

"O nosso abençoado clima oferece um espectáculo feiticeiro; e nós, também encontrámos uma denominação graciosa para distingui-lo; chamamos-lhe: o Veranito de São Martinho"

(Wenceslau de Moraes)

Os Santos populares são festejados no tempo quente de Verão: Santo António, São João e São Pedro. No Inverno há apenas um, que chega com o frio: São Martinho.

Martinho nasceu em território do império romano - Sabaria na antiga Panónia, hoje Hungria, entre 315 e 317 e terá sido baptizado, por volta do ano 339.

Martinho, enquanto soldado do Império Romano, tinha a religião dos seus antepassados, deuses que faziam parte da mitologia dos romanos, que, como é óbvio, variavam um pouco de região para região, dada a imensidão do Império. As Gálias teriam os seus deuses próprios, como os tinham a Germânia ou a Hispânia.

No entanto o jovem Martinho não estava insensível á religião pregada, três séculos antes, por um homem bom de Nazaré - Jesus Cristo.

Numa noite de Inverno, às portas de Amiens (França), Martinho, ia a cavalo, provavelmente, no ano de 338, quando viu um pobre com ar miserável e quase nu, que lhe pediu esmola.

Martinho, que não levava consigo qualquer moeda, num gesto de solidariedade, cortou ao meio a sua capa (clâmide) que entregou ao mendigo para se agasalhar. Segundo a lenda, de imediato, a chuva parou e os raios de sol irromperam por entre as nuvens.

Conta a lenda, que no dia seguinte Martinho teve uma visão e ouviu uma voz que lhe disse: «Cada vez que fizeres o bem ao mais pequeno dos teus irmãos é a mim que o fazes». A partir desse dia Martinho passa a dedicar a sua vida à pregação, conseguindo impor uma popularidade com mais de 1600 anos.

Por toda a Gallaecia os festejos em honra de São Martinho estão relacionados com cultos da terra, das previsões do ano agrícola, festas ou magustos populares, canções e adágios desejando abundância, e, nas zonas vinícolas associa-se esta quadra ao vinho novo, água-pé e à gerupiga.

Adágios da cultura popular

-Pelo São Martinho vai à adega e prova o vinho
-Castanhas e vinho pelo São Martinho
-Pelo São Martinho, bebe o bom vinho e deixa a água para o moinho.
-As geadas de São Martinho levam a carne e o vinho.
-Pelo São Martinho, lume, castanhas e vinho.
-Dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
-O Verão de S. Martinho, a vareja de S. Simão e a cheia de Santos, são três coisas que nunca faltam nem faltarão.
-Pelo São Martinho, mata o porquinho e semeia o cebolinho.
-Pelo São Martinho, semeia a fava e o linho.
-Queres pasmar o teu vizinho? Lavra e esterca no S. Martinho.

A equipa Ogalaico sugere para esta época uma visita à Rota das Castanhas nas maginificas terras de Trás-os-Montes. http://rotadacastanha.utad.pt/index.html

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