sábado, 13 de março de 2010

Aldeias Galaicas Cap. III - Aboim da Nóbrega

Aboim da Nóbrega, concelho de Vila Verde, Distrito de Braga. Nas encostas de Mixões da Serra, juntao ao PNPG, "uma das mais genuínas aldeias do interior Minhoto onde a tradição dos lenços dos namorados tem grande expressão".





Parabéns ao colaborador e amigo de "O Galaico" Elaneobrigo, criador destes percursos pedestres agora postos em pratica pela junta da sua terra.

Fica também a dedicatória para que a felicidade e sucesso domine a nova fase em que vai entrar a sua vida!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Afirmação de Identidade Galaica!

O Professor Alexandre Alves Costa afirma na televisão pública, sem qualquer problema nem depreciação, a distinção regional - Étnica entre Gallaecia e o "resto".

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Namoros de pedra e a Pedra dos Namorados

É ponto assente. Aproxima-se o dia dos namorados. Nada melhor que estas zonas da gallaecia sul para se aconchegar de amores. Afinal o amor é uma pedra basilar na caracterização galaica.

O Coração é o símbolo máximo da nossa região, presente no ouro e artesanato em geral. Temos a Cantarinha dos Namorados em Guimarães e temos os incontornáveis Lenços do Namorados de Aboim da Nóbrega e de toda a região Minhota. O que mais existe são símbolos de aceitação ou rejeição dos namoros e noivados por estas bandas.

Mas alguém conhece ou ouviu falar na Veiga dos Namorados?

Pois… também não idealizem muito! Não se trata um local fantástico, todo cheio de “romantismo”… no entanto dá sempre para acampar!

Veiga dos Namorados é simplesmente o nome dado ao local onde foi encontrada a famosa Pedra dos Namorados da Ermida à uns séculos atrás.


Crê-se que a sua proveniência seja romana e encontra-se exposta no Núcleo Museológico da Ermida, em plena Serra Amarela. Este núcleo foi o primeiro museu a ser edificado dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês. O mais estranho é que a freguesia da Ermida é singularmente pequena, pouco mais de 50 habitantes e rudemente meio isolada na serra.



Contudo para além deste achado arqueológico e do espólio etnográfico existe neste museu a Pedra Menir da Ermida, de tradição atlântica e com mais de 4000 anos! Daí a necessidade de se construir um museu in loco para salvaguarda destes achados.

A população ainda vive do pastoreio, onde usam o sistema de vezeira, ou seja uma pessoa na sua vez está encarregada de levar os animais a pastar para a serra. Não estou seguro se ainda predomina este sistema. Mas lembro-me quando ia para as famosas Lagoas da Ermida, à meia dúzia de anos atrás, que o sistema era assim. Aliás, enquanto que a família ia para a praia de Apúlia ou de Vila Praia de Âncora eu partia para aventura com os amigos para as lagoas da ermidas durante a época balnear.

Apesar de ser um local com modo de vida rude e isolado existe a alegria nestas gentes. Essa alegria e vontade de vencer são personificadas pelo conceituado Srº Carvalhal da Ermida. Um senhor invisual que é tocador exímio da concertina e é o dono do único estabelecimento comercial da aldeia.



Existe muito para contar e descobrir na Ermida. Mas lembrem-se:

"Quem faz amor na Ermida fica preso toda a Vida"

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ALDEIAS GALAICAS - cap II - ALGOSO


Algoso, povoação do concelho de Vimioso, no distrito de Bragança, com 105 fogos em 1530 e 198 em 1940. Outrora vila e cabeça de concelho, hoje em dia quase esquecida, no fundo da planície onde se avistam as serras de Sanabria, Bornes e Nogueira. Nas suas terras muito férteis, colhia-se o trigo, centeio, cevada, azeite e vinho

.

Quando, em 1855, foi suprido o concelho, Algoso, tinha Casas da Câmara e da Cadeia, um Monte de Piedade, que fornecia cereais a baixo preço aos lavradores menos afortunados, e uma escola de instrução primária masculina, que já existia em 1836, provavelmente em consequência dos decretos de 6 de Novembro de 1772 e 11 de Novembro de 1773. A Escola feminina foi criada por decreto de 8 de Setembro de 1876.

Algoso sobrevive à história e à Lenda - uma e outra sem demarcação bem definida - pelo trabalho dos homens e mulheres que aí ficaram para um dia "se deitarem no caixão" com a serenidade de quem chega honradamente ao fim de um longo e trabalhoso dia", no dizer de MIGUEL TORGA.


Algoso, com os seus romances de cavalaria, entoados de Sol a Sol nos campos da ceifa, e os seus pauliteiros envelhecidos que ainda cruzam e batem os paus com a violência de uma raiva - pauliteiros dos domingos sem fim, a espantar os Santos de madeira dos andores e as raparigas das procissões do Maio, que são hoje essas mulheres, partindo amêndoas nas soleiras das portas.

(Michel Giacometti, POVO QUE CANTA, 1973)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Galhofa

E assim vou falar-vos da Galhofa.

Quem é que não ouviu, pelo menos uma vez, as enigmáticas expressões:
- "Andavas na galhofa dianho do moço?"
- "Dizia-se lá cada uma…. mas não era para levar a sério era tudo na galhofa!"
- "Aquilo foi cá uma galhofa que chorei a rir"

Estas expressões são para mim muito particulares. Ouvias muitas vezes quando participava em trabalhos “comunitários” como esfolhada, malhadas e segadas.

Era assim que os mais velhos se referiam às brincadeiras da mocidade ou às picardias entre indivíduos!

Ainda hoje se usa para os mesmos fins na minha zona entre Lima e Cávado. Em lugar de dizer brincadeira, divertimento ou gozo, usa-se a palavra Galhofa. O seu significado oficial na língua portuguesa é risota, escárnio e gracejo.

Mas o termo Galhofa vai mais além. Galhofa é a designação dada a uma luta tradicional transmontana de corpo a corpo com origens portuguesas, nomeadamente, em Trás-os-Montes. A sua origem será, provavelmente, as lutas leonesas mas há quem aponte influência das lutas entre gladiadores romanos.


O objectivo do jogo é imobilizar o adversário de costa e ombros no chão, mas nunca se pode dar murros, pontapés ou torcer partes sensíveis ao adversário. Os jogadores competem em tronco nu, descalços e apenas com calças. A luta começa e termina com um abraço.


Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha.


A galhofa chegou até aos nossos dias enraizada na população de unicamente 3 aldeias transmontanas: Parada, Grijó e Freixedelo.


As Festas de Santo Estêvão marcavam o calendário deste ritual desportivo, que servia para desenhar também a rivalidade entre aldeias e ocupar o tempo, em períodos de pouca actividade agrícola.


Hoje em dia a Galhofa foi integrada no curriculum da licenciatura de Desporto e Educação Física do Instituto Politécnico de Bragança. Esta mesma entidade é responsável por organizar torneios de Galhofa para que a arte perdure.

Boas Galhofas Galaicos!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais um atentado sem comentários possíveis!

Arte rupestre destruída em Donim!

Nota da Direcção da Sociedade Martins Sarmento:

Na freguesia de Donim, no concelho de Guimarães, existe um importante núcleo de gravuras rupestres, localizado no fundo do vale que se abre entre o monte da Citânia de Briteiros e o monte de Santa Iria (Póvoa de Lanhoso), tem um incalculável valor histórico, científico e arqueológico. O local foi identificado, a 6 de Novembro de 2006, no jardim de uma pequena moradia daquela Freguesia.


No contexto de elaboração de uma publicação científica, técnicos da Sociedade Martins Sarmento dirigiram-se recentemente ao local para realizarem um conjunto de fotografias das gravuras visíveis nas rochas. Encontraram totalmente destruídos dois painéis de gravuras, e parcialmente destruído um terceiro painel, de maiores dimensões. Este último painel foi afectado pela construção de um muro de cimento, enquanto que os dois primeiros foram destruídos recorrendo ao balde de uma máquina escavadora, sem qualquer motivo que aparentemente pudesse justificar uma destruição por mera ingenuidade. As gravuras mais expressivas, nomeadamente uma notável representação de um zoomorfo (cavalo), foram simplesmente destruídas. Supõe-se, ainda que sem certeza, que parte do painel semi-enterrado sob o relvado do jardim ainda conserve superfícies gravadas, nomeadamente por detrás do muro construído.


O cenário encontrado no local foi verdadeiramente desolador, revelando um acto de destruição gratuita. Muitos dos motivos gravados são associáveis a outros núcleos existentes na zona, dispersos pelas freguesias de Donim, Santo Estêvão e S. Salvador de Briteiros. A figura zoomórfica destruída era, até à data, a única conhecida na região, sendo raras as representações conhecidas de animais, particularmente de cavalos, nas gravuras rupestres em suporte granito.


A Direcção da Sociedade Martins Sarmento condena com veemência este acto de puro vandalismo, que destruiu representações milenares de incalculável valor científico, patrimonial e simbólico. Tendo em conta a gravidade do referido acto, foi o mesmo comunicado à Câmara Municipal de Guimarães e ao Igespar.

Artigo em:
http://pedraformosa.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cantigas Obscenas de Escárnio e Maldizer


A vós, Dona abadesa,
de min, Don Fernand`Esquilo,
estas doas vos envio,
por que sei que sodes essa,
dona que as merecedes:
quatro caralhos franceses,
a dous aa prioressa.

Pois sodes amiga minha,
non querà custa catar,
quero-vos já esto dar,
ca non tenho al tan aginha:
quatro caralhos de mesa,
que me deu ua burguesa,
dous a dous ena bainha.

Mui ben vos semelharan,
ca se quer levan cordões
de senhos pares de colhões;
agora vo-los daran:
quatro caralhos asnaes,
emanguados en coraes,
con que colhades o pan.

«««Fernand`Esquio»»»
(Trovador oriundo da nobreza galega)

Para Vós Dona abadessa,
eu, o D. Fernando Esquio,
estas prendas vos envio,
porque sei que esta remessa
vós, dona, a merecereis:
quatro caralhos franceses,
sendo dois para a prioresa.

Já que sois amiga minha
e em nada quero poupar,
isto vos mando entregar
que outros não terei tão asinha:
quatro caralhos de mesa,
que me deu uma burguesa,
cada par uma caixinha.

Muito bem vos parecerão,
pois até trazem cordões.
Em breve os entregarão:
quatro caralhos asnais,
tendo pegas de corais
para levar à boca o pão.

Alude a cantiga um objecto, em uso na Idade Média, que hoje é conhecido por vibrador («o consolador») que certas mulheres utilizavam quando não podiam (ou não queriam) ter relações com homens. os dois versos finais indicam que os consoladores tinham uma pega que serviriam também para levar o pão à boca, imagem, como escreve RL, «forte e atrevida». Ver próxima cantiga.


Maria Negra, desventuirada,
e por que quer tantas pissas comprar,
pois lhe na mão on queren durar
e lh`assi morren aa malfadada?
e nun caralho grande que comprou,
oonte ao serão o esfolou,
e outra pissa tem já amormada.

E já ela é probe tronada
comprando pissas, vedes que ventura:
pissa que compra pouco lhe dura,
sol que a mete na sa pousada;
ca lhi conven que ali moira enton
de polmoeira ou de torcilhon,
ou, per força, fica ende aaguada.

Muit`é per aventuira meguada
de tantas pissas no ano perder,
que compra caras, pois lhe van morrer;
e est`é pola casa molhada
en que as metre, na estrabaria:
pois lhe morren, a velha sandia
per pissas berra, en terra deitada.

««««Pero Garcia Burgalês»»»»
(Poeta e trovador nascido em Burgos)

Maria Negra é bem desventurada.
Porque anda tantas piças a comprar
se, nas suas mãos, de tanto as usar,
elas lhe morrem, triste malfadada?
A um caralho grande que comprou,
ontem, ao serão, logo o esfolou
e tem outra piça já amormada.

Ei-la à pobreza, de novo, voltada,
por comprar piças. Vede a desventura:
pissa que ela compre, pouco lhe dura,
depois que ela a mete na sua pousada.
Acontece-lhe ela morrer, então,
ou de tumores ou de torcilhão,
ou, por tanto uso, ficar estragada.

É muita desventura desgraçada
tantas piças por ano assim perder.
Compra-as caras e vão-se desfazer.
A culpa disso é da casa molhada
onde ela as mete, uma estrebaria.
Quando lhe morrem, a velha sandia
por piças berra, na terra deitada.

«As cantigas de escárnio e maldizer, pornográficas ou não, são a primeira manifestação literária da ironia e do humor em língua portuguesa (por isso, algumas eram conhecidas por 'cantigas de risadilha'). Todavia, este humor, ainda que por vezes grosseiro, nunca é gratuito, nem cobarde: ataca directamente, põe o nome aos bois e é assumido.»

Orlando Neves