segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Esperança para o nosso património!

Ogalaico já várias vezes se pronunciou sobre o lamentável estado das ruínas da civilização castreja.

O simples facto destas serem um recurso arqueológico com um potencial enorme tanto a nível científico como turístico-cultural deveria ser suficiente para a que acções de recuperação e musealização acontecessem naturalmente. No entanto, mesmo com a agravante destas serem as ruínas das nossas verdadeiras origens, o berço étnico e de sangue de quem são os Portugueses hoje, não parece haver demais interesse por parte das autoridades exiladas nos bunkers centralistas da nossa capital de império olisiponense.

Como já sabemos, a falta de ligação emocional centralista para com esta antiga sociedade da qual não tem visibilidade física, deve ser a causa da ignorância completa da sua importância para a história do país e o seu consequente desprezo.

Pelo menos, espero que seja este o motivo. Não gosto de me deixar enveredar pelos meandros da guerra Norte-Sul onde, segundo alguns, a negação dos símbolos do Norte é um acto planeado que visa a subjugação de todo o país ao mito Lusitano e à resultante bajulação a lisboa. No entanto, nestas coisas, cada um têm a sua opinião.

A razão deste post é porém bem diferente do que a tónica inicial do mesmo possa ter induzido aos nossos caros e fieis leitores. Hoje, publico boas notícias porque elas também merecem ser divulgadas. Hoje falaremos de algumas iniciativas de recuperação e valorização de sítios arqueológicos.

De referir no entanto que os casos citados são actos isolados de organizações privadas, autarquias locais e universidades estrangeiras. O nosso estado não costuma perder tempo com calhaus que não sejam romanos, mozárabes ou eventualmente os da Serra da Estrela onde anseiam pela descoberta de alguma pegada de Viriato.

Tem saído no Diário do Minho um interessante suplemento acerca do vasto património megalitico e da idade do ferro do concelho de Vila do Conde. Por entre a enumerção dos sítios de interesse, os relatos das invesigações já feitas e os planos para o futuro, transcrevo o seguinte excerto:

"Para mim o exemplo mais clamoroso é o caso da cultura dos castros do Noroeste Peninsular, em que temos monumentos extraordinários, e de dimensão extraordinária a nivel Europeu, completamente desconhecidos." - Paulo Pinto (Responsável pelo gabinete de aqueologia da câmara municipal de Vila do Conde) , In DN 23 de Janeiro

Esta constatação, que OGalaico frequentemente expõe pode no entanto ser combatida a nível local e regional. Tanto publicações como as do DM como as acções locais-regionais podem ajudar a inverter este estado de ignorância. De salientar o projecto da recuperação da Cividade de Bagunte por parte da câmara de Vila do Conde em cooperação com da Austin Univesity - Texas que se mostrou muitíssima interessada por a oportunidade de poder estudar um sítio pré-romano desta dimensão.

Não consigo contudo entender o porquê das nossas universidades não fazerem absolutamente nada com as centenas e centenas de ruínas por escavar. Não faz sentido. Se o fazem, fazem muito pouco e sem impacto. De facto, de vez enquanto, vejo em Briteiros grupos de jovens a fazer medições a ruas que já foram medidas dezenas de vezes e estudar a sauna que já o foi outras tantas. Ou seja, completamente inconsequente.

Portanto, no suplemento do DM de 30 de Janeiro estão expostos os projectos de cooperação internacional e prometida a futura musealização de mais uma antiga fortificação castreja. Os responsáveis pela investigação tem fortes esperanças quanto às escavações, o regime de voluntariado vai entrar em vigor e teremos mais um castro pronto a ligar à Rede de Castros do Noroeste Peninsular. Um organismo que promete ser uma mais valia muito interessante a nível turístico.

Subindo um pouco mais a Norte, deixando o Douro Litoral e entrando no Minho sem contudo sair da bacia do Vale do Ave, chegamos a Guimarães. Uma cidade especial por muitos motivos mas, aqui para nós, principalmente por ser a que mais divulga a cultura Catreja.

Graças a um Martins Sarmento auto-didacta genial (apesar de algumas das suas teorias e conclusões não fazerem sentido à luz do que sabemos hoje), nasceu uma sociedade que envereda o seu nome e continua a sua obra. Tendo por jóia a Citânia de Briteiros, por ventura e para mim, o sítio mais especial de todo o Noroeste, devido à brutal dimensão da cidade e à quantidade enorme de achados, a sociedade desenvolveu à volta dela toda a sua máquina. Não poderia ser de outra forma.

No entanto, o que já contestei noutras ocasiões foi o completo abandono do Castro de Sabroso na vizinha freguesia de São Lourenço de Sande. Situado a poucos metros de Briteiros, este local foi ium paradigma de valor incontesavel para Sarmento. O facto de não ter sido romanizado, apresentar vastos restos á superficie, ornamentos nos edifícios (destaque para a casa reconstituída no museu da sociedade) e uma muralha titânica, fazem destas ruínas um elemento fundamental no complexo cultural de Briteiros.

Incompreensivelmente, este ficou anos a fio completamente a monte, nas próximidades de uma lixeira, sujeito a vandalismos constantes entre outras situações pouco dignificantes. De realçar o facto de estar publicitado em roteiros turísticos da região e devidamente indicado na estrada o que já potenciou visitas ao local bastante incómodas devido ao triste espectáculo que se pode observar.

Aqui está uma reportagem do completo estado de degradação do castro de Sabroso que, felizmente, vai ser recuperado, musealizado e ligado a Briteiros como já devia de estar hà muito.

Assim, apesar de todo desleixe do mundo, verificam-se passos importantes para a recuperação do nosso património. Fico feliz que os poderes locais e os privados estejam pouco a pouco a fazer o que lhes compete porém, muito há ainda para fazer. Desde educar as populações do Norte acerca desta nossa cultura castreja até estudar e recuperar mais e mais sítios. Sabemos bem que estes são tantos que os custos de manutenção seriam um disparate mas pelo menos não deveriam permitir que se deixem poir explorar ou se destruam os mesmos sem os estudar.

1958:


2008:

Só por causa deste assunto, venha a regionalização. Que se permita às regiões dedicar tempo e dinheiro no seu património em vez de ficarem maneatadas devido às opções e prioridades de lisboa.

8 comentários:

Anónimo disse...

É no mínimo vergonhoso irem lá por uma placa a indicar o Castro Sabroso e nem se darem ao trabalho de o limpar, pelo menos. Em Sande S. Martinho, o túmulo dos 4 irmãos vai pelo mesmo caminho. Qualquer dia está totalmente coberto de ervas. Em plena civilização.

O Galaico disse...

Olá.

O túmulo dos 4 irmãos tem para mim um grande problema.

A junta de freguesia não faz absolutamente nada para informar acerca do local.

As pessoas não sabem o que representa o local, não informação nenhuma, não há placas sinalizadoras, NADA.

Provavelmente jazem ali os túmulos de 4 guerreiros da 1ª dinastia pois os símbolos gravados na rocha são exactamente os mesmos que se podem verificar na capela de São Miguel em Guimarães, onde estes, são definidos como tal.

Por meia dúzia de tostões fazia-se uma pequena protecção, vedação e punha-se uma placazinha...

Mas aqui para mim devem de estar mais preocupados em descobrir como destruir isso e opor lá mais um prédio inútil sem que ninguém fique chateado com isso.

Anónimo disse...

O problema do túmulo dos 4 irmãos, é que, pelo que sei, se encontra em propriedade privada, o que tem dificultado a sua preservação. Mas já merecia umas placas na beira da estrada, é uma verdade. Para além disso, podiam era arranjar a zona envolvente (não sei de quem foi a ideia de alcatroar...), e porque não voltar a pôr à vista a estrada romana escondida há relativamente poucos anos por calcete.

Clara disse...

Não sabia da existência do Castro Sabroso. Mas pelo que li, não deve ser tarefa fácil dar com o dito.

Fiquei curiosa sobre o "túmulo dos 4 irmãos". Será possível esclareceres mais sobre este ponto?

Relativamente à recuperação do património, e pela experiência que tenho, nem sempre (sublinho) as boas intenções dos particulares e das Câmaras chegam para levar ao sucesso um projecto deste tipo. É que dependemos muito das decisões e fundos de Lisboa / UE.
Neste caso, cabe aos particulares, a título pessoal, manter a conservação do património, restando a esperança que um dia este seja reconhecido.

Beijinho

O Galaico disse...

Ola Clara.

Podes saber mais acerca deste túmulo em:

http://www.forum-gallaecia.net/viewtopic.php?t=745&highlight=irm%E3os

e aqui:

http://ogalaico.blogspot.com/2008/06/lenda-dos-4-irmos.html

Quanto ao assunto da recuperação,d e facto muitas vezes os habitantes da zona é que deveriam ter orgulho e serem os primeiros a respeitar o seu património...

Convenhamos que de facto isso não acontece sempre..

Elaneobrigo disse...

Os castros do Noroeste de Portugal e Galiza serão conjuntamente avaliados pela UNESCO para serem candidatos a património mundial. Entre as 7 mil ruínas de castros galaicos, seis foram seleccionados por reunirem condições para a candidatura e serão posteriormente avaliados por inspectores da UNESCO. Estes são:

Candidatos da linha da frente a serem avaliados pela UNESCO:

Castro Monte Mozinho - Penafiel
Castro Romariz - Santa Maria da Feira
Citânia de Briteiros - Guimarães
Citânia de Sanfins - Paços de Ferreira
Cividade de Terroso - Póvoa de Varzim

Castros na linha da frente (um deles ou ambos):

Castro de São Lourenço - Esposende
Citânia de Santa Luzia - Viana do Castelo

Castros candidatos à linha da frente:

castro do Pópulo - Alijó
Castro de Palheiros - Murça

Até 2010, por altura da formalização da candidatura, espera-se que este número chegue às duas dezenas.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Castro

Elaneobrigo disse...

lembrei-me de uma história contada em Parada do Monte, Melgaço.

ao saber da existência de um monte chamado "OS CRASTROS" prontifiquei-me a visitar e a tirar umas fotos ao local.

a meu ver tratava-se realmente de um antigo castro de certeza absoluta.

desci à aldeia e perguntei aos familiares se algumas vez foram encontradas pedras escritas ou algo do género, ao que me foi dito:

- pedras?! ohohoh tá tudo espalhado por essas casas abaixo. a gente quando ia fazer uma casa, uma corte ou um muro, cangava o gado e tradia as pedras dos "CRASTROS" em cima do carro!

isto relatado por um senhor de 80 anos de idade!

O Galaico disse...

lol, ao menos utilizam as pedras para um propósito justo e não como o do guarda da citânia de santa luzia que destruia muralhas para fazer casotas para os cães...