quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Esvaídos do nosso sangue!

De glórias conta-se a história.

São os momentos mais nobres e os actos mais distintos que enchem de orgulho as gentes de qualquer terra. Nunca vi, e isto é um facto, nenhuma localidade, região ou país ter honra em situações embaraçosas ou vergonhosas. No entanto a ironia está presente quando nos damos conta que honramos a honestidade como uma virtude das mais badaladas. Se assim fosse, teríamos de ter orgulho na derrota e nos defeitos. Bastaria assim assumi-los para transformar-mos uma situação negativa em mais um motivo de vangloria.

Justamente ou não (cada qual que julgue) eu digo que a honestidade é necessária mas não transforma os responsáveis por uma situação má em boa gente apenas por assumirem que falharam. Até porque não sabemos se foi falha ou premeditação. A honestidade vale o que vale dependendo das pessoas e da situação.

Mas de que estou eu a falar?

Estou a filosofar sobre um fenómeno social que atinge o Norte de Portugal em particular com toda a força. Não é uma situação nova pois meus avós e pais já a sofreram. Há várias décadas foram à luta para que nós, que hoje vivemos e aspiramos pelo futuro, não tivesse-mos de nos lamentar e de sofrer destroçados pelos caminhos estranhos a que a vida nos pode levar. Por momentos mas por pura distracção e ingenuidade pareceu que este movimento estava em declínio e que havia esperança no fim do túnel. Engano grosseiro. A luz que se percebia neste túnel de mistérios era apenas fogo de artifício que aqueles que podem mandam ao ar sem se ralarem com os efeitos. Para eles, desde que estejam saciados, todos os actos são perdoáveis.

A emigração é de facto uma facada nas costas do país. Talvez não uma facada mas mais uma dor de cabeça. Uma enxaqueca! Um destes males que só nos recordamos quando somos mais uma vez atingidos por ele. Assim,. uma vez por ano nos lembra-mos da realidade em que existimos.



Pintando um retrato da minha freguesia:

Há 50 anos atrás todos eram pobres mas todos trabalhavam. Todos eram honrados e, apesar de haver fome em certos casos, a generosidade do povo resolvia tudo. Naquele tempo, as pessoas iam para fora porque tinham de fugir das garras de Salazar. Ao mesmo tempo aproveitavam para ver o mundo. Um mundo que a vida profundamente rural não reconhecia. Iam maioritariamente para Paris onde os nossos jovens ficavam deslumbrados com a dimensão avassaladora da realidade. Não há missa, ninguém julga o outro, a libertinagem é quase bem vista e as oportunidades surgem em todos os cantos. Para quem queira trabalhar o futuro está garantido. Também em casa o estava. Talvez com muito mais modéstia mas a vida daqueles tempos era alegre e pura. Também antigamente, quem queria trabalhar não teria problemas. Não construiria uma casa de estilo europeu e não teria um grande carro mas, por outro lado, teria a sua horta, o seu emprego dentro ou fora da quinta e viveria feliz com a família, as suas romarias, tradições e cantinho de céu.



E hoje? Quais as oportunidades dos nossos jovens?

Continuando de palete na mão:

O pai é modesto e a mãe uma dona de casa como as que nunca mais se vão fazer. O jovem este nasceu entre dois mundos. O dos pais dele assemelha-se mais a idade média do que a qualquer outra coisa. O dele, por outro lado, é o da globalização. Vivendo no campo, em zona rural ou semi-rural, os ícones dele são os das grandes cidades mundiais. A sua musica é a mesma que a de qualquer nova-iorquino ou Parisiense. Assim é igualmente a sua moda, forma de falar, pensar e agir. Hoje, filhos de peixe já não sabem nadar.

Também a nível de perspectivas o fosso é esmagador. Se os pais dele eram humildes e apenas precisavam de um tecto e pão na mesa para se sentirem felizes e honrados, o filho já não. Para o filho, viver como os país viveram é sinónimo de fracasso. Na verdade não estão minimamente preparados para a dureza vida pois são completamente incapazes de fazerem os sacrifícios que fizeram os seus progenitores há poucos anos atrás mas numa realidade totalmente diferente. Para o rapaz ou moça nova, vir a ter menos que os outros é inaceitável.

O jovem depara-se a certa altura com dois caminhos. Sair da escola e estar condenado ao fracasso ou investir-se no ensino superior, esganando mais um pouco as economias da família e, mesmo assim, não ter a certeza se vale minimamente a pena. O feedback que normalizar tem é que não. As notícias são diárias e mais que conclusivas. A não ser que seja muito dotado ou tenha muita cunha, o jovem da minha aldeia nasce quase condenado a seguir o mesmo velho e penoso caminho que todos os outros.

Há cerca de 10 anos a freguesia estava viva. Havia juventude em todo o lado e organizações como o grupo de jovens, rancho folclórico e escuteiros floresciam. Ao Domingo, ainda se viam no adro da Igreja os mais tradicionalistas enquanto os restantes divertiam-se nos cafés e nas discotecas. Hoje apenas há silencio e casas vazias.



Só este ano mais uma dezena de rapazes e raparigas abandonam a terra para imigrar. Não pensem que todos eles são incultos ou "labregos". O facto é que quase todos tem no mínimo o 12º ano mas isso não vale nada. Os jovens da minha terra são educados, sabem ler, escrever, tem opinião formada mas não tem uma coisa essencial: A oportunidade. Assim, o único caminho a seguir é abandonar o país para ir fazer qualquer coisa. Sim porque qualquer coisa fora é mais lucrativo do que qualquer coisa aqui. Como podem não se sentir atraídos estes jovens quando os seus amigos de infância voltam ao fim de 2 anos ostentando riqueza superior há que podem aspirar em talvez toda a vida? Sim, é verdade que lá fora trabalha-se muito mais e não se tem a "qualidade de vida" (mito urbano a desmistificar urgentemente) que existe em Portugal. No entanto, mesmo aqui, se houvesse quem pagasse um mínimo aceitável, haveria quem trabalhasse e aqui ficasse feliz. O problema é que lá fora, mesmo sem ter educação nenhuma há hipótese de ter uma vida regular. Tudo o que se for capaz de fazer a mais que isso será sempre recompensado.

Recompensa! Uma palavra que não existe no dicionário da vida dos nossos rapazes e raparigas.

Estamos no fim de Agosto e sente-se no ar a tristeza. A tristeza dos que vão pois todos os anos se sentem arrancados a força, mas também a tristeza dos que ficam ou por verem os seus amigos e familiares se afastarem. Muitos também ficam tristes por não irem. Por estes dias o ar está pesado e verga o sorriso de toda a gente. Sente-se que algo não está bem e nasce em cada esquina a raiva contra o estado do país que obriga a esta coisa inconcebível: Emigrar!



Mas que país é este que nem é capaz de manter as crianças que pariu? Isso na vida real daria processos! Retiravam a criança aos país e castigavam-nos! O estado ou o que quer que seja responsável por este horrível acto de mau parentesco, deveria assim ser igualmente castigado por quem quer que fosse. Quando hordas de beleza, juventude, esperança e criatividade abandonam o pais simplesmente porque este não cumpre sequer os requisitos mínimos aceitáveis então caímos fundo. Muito fundo.

E assim a vida no Norte de Portugal. Uma região que em caso de necessidade não se vira para a sua capital. Quando o Norte está mal, o Norte vira-se para a Galiza, para França, para a Alemanha, Suíça, Luxemburgo etc. Ali, longe de tudo, sabem que existe soluções para os problemas que têm. Ali, longe de tudo e junto a tantos outros exactamente nas mesmas condições, quase parecem esquecer-se que esta não é uma situação normal. Longe dos olhos dos conhecidos e dos cheiros e cores da sua terra, não se sentem obrigados a sofrer por ela. Limitam-se a fazer de conta que não são quem são apenas para não se recordarem que o mal que os fez sair daqui ainda existe. Permanece e paira constantemente.

Voltando finalmente à questão da Honra e da hipocrisia que deriva da adjectivação com esta palavra, há que ter em conta uma coisa:

O estado, quando glorifica o papel do imigrante, quando lhe preza a coragem e as virtudes está no fundo a usar uma estratégia inconsciente (espero eu) para branquear o rotundo falhanço que é a economia e sociedade de Portugal. Facilmente podemos entender que cada desempregado que imigra e cada jovem que sai são dados transformados pelo INE como um desempregado a menos e um jovem à procura da primeira colocação a menos. A irresponsabilidade dos actos governamentais é tal que publicitam estes números como vitórias pessoais fruto de qualquer projecto guardado numa gaveta cheia de pó.

Eu gostaria de ver os números se as DEZENAS DE MILHARES de jovens que emigraram nos últimos anos voltassem...

E assim passa mais uma enxaqueca. O governo, aceitando honestamente o facto de os emigrantes serem poços de virtudes (e de dinheiro fresco) e pessoas de imensa coragem e valor tenta talvez fazer com que o facto de eles terem de abandonar a pátria não sobressaia. Pois bem, por mais monumentos que façam aos imigrantes, por mais que se promovam festinhas no mês de Agosto ou condições bancárias e de crédito especiais, não nos devemos esquecer que cada pessoa que saia para fora tem de ser vista como um falhanço dos sucessivos governos do país e uma prova da incapacidade e insustentabilidade da nação.



O mais grave é que se não somos sustentáveis não podemos existir.

Muita desgraça se vê, muitos problemas se constatam. Ainda mais situações más verificamos ou aspectos erróneos porém, nada me toca mais do que ver o país ficar vazio. Ver os pais sem os filhos, ver os cafés vazios, os recintos desportivos abandonados e ouvir este silêncio incomodativo. Sentir a raiva de quem tem de ir embora, ouvir o choro da ultima despedida.

Tudo coisas que qualquer país que se preze não deveria ser forçado a assistir. Muito menos o Norte que criou este monstro que hoje se vinga e o devora.

Esta é a sina dos Nortenhos. Ir à aventura tomando conta dos seus problemas por mais que lhes custe. Este é o meu povo! Bem que martirizado, menosprezado e reduzido à mera existência, não se coíbe de ir e voltar para mostrar que não se deixa abater.

O meu povo não chora pedindo subsídios ou se senta todo o dia ficando acomodados com a côdea e o copo de tinto diário. O meu povo pede para si o melhor possível e, se a "capital" não cria condições para o obter aqui, então não lhe pede permissão para o ir arrancar a custo lá fora.

O espírito Galaico conquista o mundo!

4 comentários:

Suevo disse...

Parece-me que cometes um erro muito grave, confundes Emigração com Imigração.

Mas fugiu-te o teclado para a verdade:

“A imigração é de facto uma facada nas costas do país.”

A Emigração é muito, mas muito menos grave que a imigração.

Quando aos que fogem daqui, isso já vem desde há muitos séculos, antecede em muito o Salazar.

Haja coragem para se dizer o seguinte, tirando a cidade do Porto, todos os restastes calaicos NÃO gostam da sua terra natal, e procuram alguns deles a todo o custo sair de lá. Quanto ao estado fica todo feliz com essa secular fuga de “nortenhos”, não só porque serviam de carne para canhão para povoar o império, como mais tarde serviam para o envio de divisas para o banco central lisboeta, em vez de provocarem problemas mais ou menos separatistas que poderiam surgir caso os “nortenhos” não fugissem quase todos. Se se revoltassem contra O pais, em vez de se revoltarem contra o estado do pais poderiam não ser a região mais pobre da Europa, mas isto é pura ficção.
Repito, Portugal sempre teve interesse na emigração massiva de “nortenhos”.
Muitos dos que emigram não tem necessidade para emigrar, não emigram por passar fome, emigram porque na realidade não suportam a vida nas suas aldeias.
Isto até encaixa nos resultados do último referendo da regionalização.

Quanto a não existirem aí oportunidades, só te digo que as oportunidades criam-se.
Tantos e tantos homens de trás-os-montes enriquecerem durante séculos, e quantos desses homens abriram fabricas (por exemplo) em trás-os-montes para desenvolverem a sua terra natal?

Já sei que ao contrário de mim, tu és tolerante com a colonização que estamos a sofrer, mas não confundas emigração com imigração, porque esse erro retira-te credibilidade.

Quanto a Portugal, resume-se a Lisboa, se na Calecia emigram todos, isso pouco lhes interessa, até diminui os números já de si fictícios do desemprego e do RSI. Até porque para cada “nortenho” que sai entram vários mestiços brasileiros e negros e a população portuguesa caminha para os 11 milhões, mas de um povo que não é nosso.

Os teus conterraneos que vão para a França são Emigrantes.
Um moçambicano que venha para o Porto é um Imigrante.

O Galaico disse...

Ola Suevo.

Obrigado por apontar a desatenção entre Emigrante e Imigrante. No entanto estes dois conceitos são redundantes. Um Imigrante é também Emigrante dependendo do lado em que estiver o observador.

Toda a minha família é emigrante. O meu pai o foi e até eu nasci no estrangeiro. Sei perfeitamente o que sentem as pessoas que emigram, porque o fazem e porque voltam mesmo se criticam arduamente as suas terras.

O Suevo diz que a Imigração mais grave que a Emigração. Isso depende da perspectiva pois se não houvesse o vazio provocado pela Emigração talvez não tivéssemos tanta Imigração.

O fenómeno migratório começou na por volta das décadas 20-30-40 quando as grandes capitais europeias precisavam de mão de obra para reconstruirem as suas cidades desfeitas pela guerra mundial.

Os meus tios e avós que para lá foram nesta época fizeram-no não por iniciativa mas porque a pressão por trabalhadores baratos era tanta que chegou às terras do Norte de Portugal.

Refiro sempre o Norte porque se contarmos a percentagem de Nortenhos com as outras regiões, tenho a certeza que deve de andar por volta do triplo ou quadruplo. Aposto que existe mais Nortenhos e descendentes fora do que aqui!

As primeiras vagas de imigrantes só queriam uma coisa: Ganhar para comprar as terras que trabalhavam e construir uma casa onde pudessem criar uma família sem serem escravizados. Naquele tempo ou se era dono e se vivia bem ou então era-se criado de servir e apenas tinham de comer e beber.

O meu avô fez precisamente isso. Foi, ganhou dinheiro, comprou umas terrinhas, fez uma casa e criou 13 filhos apenas com o fruto da terra.

Quando pensamos bem, não deve de haver terra mais rica no mundo onde só com a fertilidade natural se pode criar famílias tão grandes.

As gerações do meu pai já não imigraram por causa disso. Tiveram de fugir a Salazar. Este foi o primeiro motivo. Só depois veio a curiosidade e a ambição de ser mais que um pobre agricultor.

Em qualquer caso, não há nenhum emigrante que diga que não gosta da sua terra. Não se engane caro Suevo. O meu pai chorava todas as noites quando tinha de ir embora assim como todos choram no interior.

Podem criticar, falar mal e apontar os defeitos mas amam perdidamente a terra. Por isso a maioria volta para ela e só guardam contactos com a de acolhimento para usufruírem do seu sistema de saúde se assim for preciso.

Se desses por exemplo um salário de 800€ a qualquer jovem ele nunca sairia da sua aldeia para emigrar. Não a trocaria por nada pois com este salário que, a nível europeu, é miserável, aqui estaria bem. Estaria na sua aldeia mas a 30 minutos de qualquer cidade.

Até no meio do Parque nacional esta-se em Braga, Porto ou Viana em pouco tempo.

O problema é mesmo esse: A inexistência de oportunidade.

Os investimentos e auto-emprego são conceitos que resultam raramente e não se pode pedir a milhares de pessoas que criem soluções para eles que o estado deveria criar.

zixsix disse...

fazendo a distinção entre minho e trás-os-montes, vários amigos transmontanos me dizem que uma das principais caracteristicas dos minhotos é que em cada esquina existe um negócio, uma oficina, uma tenda ambulante!

o povo aqui é muito empreendedor,todos os concelhos tem um parque industrial, mas o seu maior erro é não pensar em grande!

nesta era de globalização o norte em geral não se adaptou!

os négócio são pequenos e arcaiscos!

ora com tanta juventude a querer ganhar a vida, por vezes a hipotece mais oportuna é emigrar/imigrar!

salários baixos, muita mão de obra e poucos empregos!

a economia do norte não é competitiva, e os culpados são muitos. desde os senhores de lisboa que gerem os investimentos públicos, até aos presidentes da câmara que até à bem pouco tempo não eram capazes de estabelecer parcerias com outros concelhos afim de construirem projectos estruturante a nível económico e social!

se um concelho tem uma piscina olimpica, o outro concelho do lado quer ter também uma! e quem paga é o estado!

mas se a piscina fica-se num concelho e outro investi-se num campo de futebol existiriam grandes atletas olímpicos;)

veja-se o exemplo da Universidade do Minho que ao querer juntar IPVC de Viana do Castelo para formar uma Universidade à escala mundial, o minicipio e o IPVC de Viana não aceitaram a proposta, penso que por mero bairrismo!

e assim continua o nosso Norte como a mais errante das regiões!

zixsix disse...

"O Norte trabalha e Lisboa consome". Esta frase já passou para o baú da história. As cifras não enganam: nos primeiros cinco anos da década, a riqueza produzida no país aumentou 22%. Ao mesmo tempo, no Norte, entre o Douro e o Minho, incluindo Trás-os-Montes, a riqueza cresceu apenas 18,7%, enquanto no Alentejo expandia-se 21,8%.

O Norte do país pode trabalhar muito, mas e os rendimentos - salários, rendas e pensões - aumentaram na mesma proporção? Os dados oficiais parecem castigar as gentes do Norte. Em 2006, em rendimentos anuais (ordenados, rendas) cada nortenho auferia 7307 euros, em média, de acordo com o s inquéritos aos rendimentos familiares do INE. Ou seja, no final do ano, cada nortenho levava menos 1483 euros, em relação à média ostentada pelo cidadão nacional.

Até mesmo os alentejanos - por norma, associados à "pobreza" - ganhavam mais do que os nortenhos: 7390 euros anuais. Mas, em termos de ganhos, diz a estatística, a diferença para a Grande Lisboa é abismal. É que o típico lisboeta ganha mais 4355 euros do que o nortenho.

Prejudicados nos ganhos, os nortenhos são, também, "mal-tratados" quanto aos subsídios sociais. Em média nacional, os pensionistas recebem 4006 euros anuais - dados de 2007 - mas os nortenhos são os últimos na cadeia da solidariedade nacional: recebem apenas 3187 euros, o que pode ser explicado pela pirâmide populacional. Um último dado: em 2007, a pensão média nacional de velhice era de 359 euros, mas em Braga a pensão média não passava dos 316 euros. E, se no Porto o pecúlio atingia os 390 euros, já em Lisboa tocava os 463 euros.

Até mesmo o flagelo social mais temido não perdoa as gentes do Norte. Entre 2000 e 2007, o desemprego em Portugal aumentou 118%. Mas, mais uma vez as estatísticas oficiais são cruéis para a zona Norte. Entre o Douro e o Minho o exército sem emprego aumentou 145%, só ultrapassado pelo crescimento no Centro, entre o Tejo e o Douro: 174,6%. E, a demonstrar que em Lisboa pode existirem mais oportunidades no mercado laboral, o desemprego aumentou "apenas" 77,6%.

Em 2005, o Norte de Portugal era a região da UE a 25 com o mais baixo índice de rendimento por habitante. A riqueza (PIB), medido em termos de poder de compra, representava 57,4% da média da UE. Lisboa, para o mesmo ano, detinha um PIB per capita de 104,3% da média da União.