quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O Minho: Uma Terra Unica no Mundo!


Podem chamar-me tendencioso ou narcisista mas acredito sinceramente no que digo.

NÃO HÁ TERRA NO MUNDO COMO O MINHO.

Qualquer um pode dizer que a sua terra tem isso e que a outra não ou que aquela faz aquilo de uma maneira mais linda etc. No entanto, repito sempre a mesma coisa:

O Minho é ÚNICO em Portugal.

Já sabia isso a muito tempo. Todos olham para o Minho como a terra da alegria e quem cá vive lamenta-se de não haver dinheiro, terem de imigrar e que a vida é dura. Eu respondo que a vida é dura em todo o lado.

Qual a razão deste Post? Foi o fim de semana que passou. Abrir os olhos e perceber o que se passa à nossa volta é tão fácil quanto capaz de causar espanto.

O que se passou no fim de semana passado? Foi a exultação do Mês de Agosto, da tradição, dos imigrantes, das festas, da cor, do folclore, das concertinas, do vinho verde, da gastronomia, da religião, dos cheiros da terra, do milho, da serra e do mundo inteiro.

No fim de semana passado dei por mim a passar por uma estrada nacional durante 5 quilómetros que cruza várias freguesias. Contei 4 cartazes de festas que se iam realizar neste dia. Festas de padroeiros, recepções a imigrantes, festivais de folclore.

Saí de casa e sentia-se no ar o cheiro da lenha a preparar os churrascos e aquecer os fornos para o pão. Ouviam-se os rádios com as modas regionais a anunciar as celebrações, os familiares a rirem em casa e os cafés a transbordar de amigos nas esplanadas que insistiam em ser eles a pagar. Só no Minho é que os amigos se zangam por quererem serem eles a pagar a conta. Isso é honra a mais!

Vou à casa da minha avó. Velha casa em pedra mais ou menos recuperada onde a família inteira se reúne nas férias. As mulheres na cozinha, os homens à mesa a tratar do vinho, os filhos, sobrinhos, netos afilhados a correrem lá fora.

Bota-se o vinho na malga desde alto para ver se está azeitado e para testar a cor, espuma e pique. Roda-se o líquido à luz para ver a marca que ele deixa na porcelana branca. Prova-se à homem, ou seja, deita-se meia tigela abaixo de uma vez. Está bom? Sim! Então tira-se um presunto que estava dependurado há já alguns meses no tecto. Corta-se, vê-se a cor, testa-se o cheiro e prova-se. Está bom? Está!

E agora, vem o bolo quente do forno. Com sardinhas e toucinho caseiro. Depois tira-se a broa também quente para acompanhar um caldo verde todo feito com ingredientes da terra. Tudo sabe à terra. O cheiro que está lá fora funde-se com a comida e o ambiente. Tudo faz sentido.

Para sobremesa há ameixas e laranjas das fruteiras da poça e um bagaço feito no alambique ilegal do vizinho. E ilegal mas este não engana ninguém. Faz o bagaço com as nossas uvas e a nossa lenha. Sabe à nossa quinta e é comido pela nossa gente e aos que quiserem comer. No Minho se chega para 20 chega para 50. Só temos que sacar mais um presunto e umas chouriças, chegar lume à agua ardente, tirar mais uma broa do forno e pronto. Mais uma alma satisfeita.

E isso é apenas uma casa numa aldeia de um concelho da região.

Para digerir vai-se a pé pelo caminho de paralelos graníticos ornamentado por videiras altas e milherais mais altos que qualquer homem. Passa-se a mão pelo valado, tira-se uma flor que se coloca no canto da boca. Respira-se fundo e o ar húmido dos regadios penetra até acordar a alma e as suas memórias esquecidas. Cheira agora a uvas americanas. Um aroma tão rico que põe toda a gente à procura de qual vide nos abençoa com ele. Trepa-se um pouco, um cacho a cada um e continua-se a caminhada cuspindo os bagos açucarados vazios.

Ouvem-se os tios a falar com pronuncias que já não existem usando palavras de outrora sobre os nomes que se davam a terras que desapareceram e famílias que já lá não vivem. Falam também das porradas que davam, das coças que levavam e das moças que amaram na mocidade deles. Lembram-se do espigueiro que ardeu naquele ano e do moinho que havia num ribeiro que hoje está enterrado e encanalizado debaixo das terras.

Chegando ao adro da igreja é se contemplado com certamente mais de uma centena de elementos de vários ranchos folclóricos. Assim, de num relance ajudado pelo vinho, quase acreditamos que estamos no passado. Aquela moça loira sentada na pedra em frente ao jardim da igreja, com os seus brincos d'oirados e a sua saia colorida, o xaile que lhe define as linhas da cara e aumenta a inacessibilidade atinge-nos no coração. Mais doloroso é ainda voltar a realidade quando um carro topo de gama de placa estrangeira passa com musica barata.

Vê-se o espetaculo e ouvem-se as honrosas menções ao delegado da câmara municipal que se apressa por ter mais dois eventos do género aos quais presidir.

Voltamos para trás para a tasca de um familiar. Ouve-se ali também as concertinas que um rapaz novo manobra habilmente sob a inveja de muitos... Canta-se, pronunciam-se quadras centenárias e chama-se a velhinha que só ela consegue cantar o esganiçado de antigamente. Ri-se até quase chorar com as desgarradas.

Saio para ir buscar um amigo apeado. Passa-se por outro festival folclórico onde ele está. A família dele que, inevitavelmente são amigos e relativos oferecem comida. que recuso prontamente. Antes de ir aprecio mais um pouco os interpretes do espetaculo comparando-os com os que estavam na minha freguesia.

Saímos para a cidade por overdose de genuinidade. Braga, capital da região mais linda de Portugal é o destino rapidamente alcançado. Mais música no centro, mais folclore e mais gente feliz.

Finalmente, sobe-se a serra, por sorte à meia noite, e olho para o vale. Dezenas de sessões de fogos de artificio irrompem das agora iluminadas aldeias. Uma explosão excêntrica de cor ilumina o caminho. Um aqui, outro acolá. Olha para este, mira acoloutro!

E isso é só o resultado de algumas festas de algumas aldeias num fim de semana do mês de Agosto num concelho da região.

3 comentários:

JMTinoco disse...

Ao ler este excelente texto fiquei com um travo na boca a pão de milho regado a preceito com binho berde. E que tal uma sopa de burro cansado?

O Galaico disse...

Ehehe.

Este era o pequeno-almoço do meu pai e seus irmãos quando acordavam de madrugada no inverno.

2 malgas de bêbedas logo ao acordar era o melhor que se podia fazer a uma criança pré-adolescente que iria ter de enfrentar a dureza dos trabalhos do campo.

Mais tarde, iam para a escola descansar... Literalmente..

zixsix disse...

É uma terra feita à medida das suas gentes!

Não há nada fabricado para ficar bem na televisão ou para agradar aos turístas!

Até porque, inacreditávelmente, o resto do país passa indiferente!

No caso do médias, é mais importante saber que um jet set qualquer caiu numa piscina durantes as férias, do que fazer umas filmagens às festevidades do minho!

São, indiscutivelmente, as melhores festas, feitas pelas melhores gentes, nas melhores terras de Portugal!

Belo texto;)