sábado, 4 de outubro de 2008

Português Vs Galego

Interessante reportagem sobre as origens do Galego e do Português e comparação entre os dois idiomas irmãos.

10 comentários:

Lola disse...

Galaico,

Gostei de ver.

Beijos

zixsix disse...

grande post camarada,

depois de me ter ausentado uns tempos do blog, é bom ser maravilhado com este tão didáctico video.

um pequeno pormenor que encontrei é que ao minuto 3:20 passa uma musica que é dum grupo de Andaluzia que nada tem a ver com nós galaico!

salva-se a maravilhosa gaitada no final do video que me parece de Susana Seivane!

O Galaico disse...

Obrigado Lola. Gostei que tivesses gostado!

Camarada Zixsix! Estas a ficar especialista na gaita de fole! Há que manter as tradições! Muito bem!

Quanto ao video que é bastante interessante pelo facto de raramente na Tv publica darem créditos ao Norte pelo que Portugal é, note-se uma estranha situação.

Quando comparam certas pronuncias Galegas e Portuguesas, não associam o B tradicional do Norte ao Galego mas fazem-no com o TCH em vez de CH o que é muitissimo menos evidente.

Uma vez que toda a gente sabe que no Norte fala-se por tradição com B em vez dos V, porque é que não referiram isso?

Talvez por julgarem que a consciência deste facto por parte dos Nortenhos pudesse fazer com que alguns se lembrassem que de facto o Norte e a Galiza são o berço e o génio unido que deu origem a Portugal...

Em vez disso falam do TCH. Caso apenas ocasional que pouca gente conhece!

No fundo foi uma boa estratégia para usar uma comparação real para o documentario sem usar um exemplo popular demais...

Meiga disse...

Já dizia o meu amado Teixeira de Pascoaes: "A Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela".

Suevo disse...

Para o Meiga


Para quem não sabe, e acredito que por aqui não saibam, Pascoaes caracterizava os portugueses como a raça lusitana, produto dos «sangues daquelas duas raças» — arianos e semitas — que aqui «se cruzaram em partes iguais». Os
arianos haviam trazido o legado do paganismo, bom esta parte do paganismo foi das poucas coisas nas quais Pascoaes acertou.

Nós, os que somos arianos, não nos revemos em tal escritor lusitano, que nem lusitano era, mas que pelos vistos sonhava ser (para além de semita).
Pascoaes poderá representar até a alma do Alentejo, nunca a da Calecia.

O seu patriotismo lusitano místico e messiânico, ao caracterizar arianos e semitas num capítulo das suas obras significativamente intitulado «O sangue», Pascoaes põe
de lado qualquer menção à antropologia da época e aos seus indicadores
«físicos». Para ele há uma raça portuguesa, porque existem uma língua, uma
arte, uma literatura, uma história, etc , portuguesas, uma autentica parvoíce lusitana sem ponta por onde pegar.
Ora essa raça, volta a afirmar, é o produto de um fusão entre arianos e semitas sem qualquer hierarquização. Fusão que deu à raça lusitana, como lhe continuou sempre a chamar.

Patriota portugues como era, Pascoaes enaltecia a miscigenação que achava característica de Portugal, bem como o legado semita, o que é especialmente grave já que Pascoaes não deixa de situar numa paisagem específica o sentir da nação. Era no Entre Douro e Minho, mais particularmente na zona onde nasceu e viveu — Noroeste de Portugal —, que opunha a um Alentejo — Sul — associado ao «mourisco».

Já para Basílio Teles, Portugal se compunha de duas identidades rácicas inconciliáveis, em vez de dizer parvoices sobre Castela e lusitanos como fez Pascoaes.

O curso específico da história para Teles devia-se ao facto de actuarem na mesma factores étnicos determinantes. Em O Problema Agrícola escrito em 1899
caracteriza do modo seguinte o Norte e o Sul e a sua relação com a história portuguesa. O Norte, de matriz galleciana, de guerreiros e agricultores, já o sul, com populações arabizadas, é
dominado pelo comércio, pela aventura marítima, pelo mercantilismo, à
«maneira árabe e berbere».
Com efeito, os habitantes do Norte seriam arianos, povos agricultores e
guerreiros, produtivos. Os do Sul, semitas, sem agricultura digna desse nome,
pois árabes e berberes eram parasitas ociosos apenas interessados na actividade
mercantil. A hegemonia semita haveria começado com o desenvolvimento
dessa Lisboa.

Suevo disse...

Quero deixar claro que as palavras sobre as populações do sul foram escritas por Teles, palavras essas que foram bastante fortes, a sorte de Teles é que viveu noutra epoca, senão ia preso por causa de racismo, é que o estado portugues não perdoa.

O Galaico disse...

E óbvio que os Portugueses não são lusitanos.

Estes nem sequer existiam aquando da criação do país.

Portugal é a soma de 2 modos de vida e regiões diferentes com uma lógica área de fusão.

Digamos que de Aveiro para cima é uma coisa e de Coimbra para baixo outra.

Racialmente, o Sr. Suevo sabe já que não faço este tipo de distinção pois para mim teria tanto valor um africano que tenha aprendido a tocar gaita de fole onde nasceu (suponhamos em tras os montes) e que tenha crescido integrado na cultura, do que um transmontano que tenha largado a sua região e esquecido as suas origens.

Neste caso são ambos meios transmontanos ou meio de nada.

Isso para dizer que o repovoamento de Portugal foi feito por Galegos. Logo, a raça é predominantemente .

A cultura esta é que é DIFERENTISSIMA!

Uma é Atlantica e outra mediterranica.

A questão é bem mais cultural-ambiental do que racial.

Suevo disse...

Eu coloquei este texto porque falaram aí no Teixeira de Pascoaes, ou pelo menos numa frase dele quando considerou erradamente a Galiza como a Alsácia portuguesa.

“Portugal é a soma de 2 modos de vida e regiões diferentes com uma lógica área de fusão.”

Eu, como é obvio discordo, não se tratam apenas de dois modos de vida, tratam-se de pelo menos duas etnias, dois povos diferentes.

Eu acredito que sejas etnicamente galaico, mas ao considerares que um negro pertence ao nosso povo porque eventualmente nasceu cá e toca gaita de foles, mostras que não tens qualquer consciência étnica.

Os galaicos eram e serão arianos, não serão negros que aprenderam a tocar gaita de foles. Nem vale a pena desenvolvermos este tema porque não existe a menor hipótese de chegarmos a acordo.

Estamos do lado oposto da barricada, tu queres integrar africanos, eu não quero integra-los, a integração deles é até o maior risco que a Calecia corre, não vale a pena escondermos que estamos em campos opostos, podemos exprimir as nossas opiniões, mas não vale a pena sermos hipócritas.

A figura cimeira da etnologia do pós-guerra, Jorge Dias, constatava a existência de um contraste entre o Norte e o Sul, evocando a presença de «antinomias profundas» na «personalidade psicossocial do português», que remetiam para elementos étnicos distintos.
Dias associava tais dimensões a procedências étnicas com uma inserção territorial
diferenciada. Em Portugal fizera-se sentir a norte o maior impacto de celtas
e germanos, enquanto a sul predominavam os elementos étnicos do Sul da
Europa e do Norte de África (mediterrânicos e berberes).

Já Alberto Sampaio, referiu-se claramente à existência de um país com «duas raças antipáticas» . A uma, a dos habitantes a norte do Vouga, atribui o impulso
da conquista do resto do território, resto esse povoado por gente de outra «estirpe etnológica», sarracena, extra-europeia. A obra da monarquia afonsina ficara interrompida devido ao facto de se ter iniciado a viragem para as conquistas e para a mercadoria com a dinastia de Avis, o que impedira a colonização do Sul e a formação de uma «raça homogénea».

Nós não colonizamos o sul no sentido etnico, a conquista foi meramente simbolica, mas o povo de lá era moçarabe e mouro, não passaram a ser etnicamente como nós por artes magicas.

E hoje, passados quase mil anos dum esforço enorme do estado portugues, essas diferenças continuam obvias, basta vermos as votações do Partido Comunista Portugues para percebermos isso.

Rui de Carvalheira disse...

Muito didatico o video!
Mas na Galiza temos por costume dizer que o portugues é filho do galego. Só uma anecdota,não tomar a mal, ja que, ao menos na minha opiniao, o galego e o portugues son a mesma lingua, um diasistema, não? duas versoes da mesma lingua :)

(perdón pelas faltas de ortografía, não sei escreber portuges :S )

O Galaico disse...

O Português e o Galego são filhos do Galaico.

São duas vertentes do original.

O Galaico foi Castelinizado e Lusitanisado dando origem ao Galego da Galiza e ao Português padrão de lisboa.

No entanto há que ter em conta as variantes do Português pois a pronuncia tradicional do Norte assemelha-se mais ao Galego do que à versão lisboeta. (B, OM e TCH).

Quando ao seu idioma, não se esforce por falar Português. Se souber fale Galego que nós até agradecemos!

:D