domingo, 7 de junho de 2009

A vaca das Cordas!

Com a chegada do mês de Junho começam os Santos Populares.


Estas celebrações que, no fundo, são todas originárias da mesma festividade equinocial, testemunham de forma vivida (mas inconsciente para a maioria) os mais antigos rituais pré-cristãos. Venha assim Santo António, São João e São Pedro e que, por mais uma vez, o povo cumpra a tradição.


Assim, a Vaca das Cordas surge igualmente nesta atura, a 1o de Junho. Coincidência ou não, por volta da primeira lua cheia do mês. As suas raízes pagãs estão bem documentadas e não se escondem em nenhum momento da celebração:

"A mais antiga referência que se conhece desta tradição remonta a 1646, em que um código de posturas abrigava os moleiros do concelho (ministros de função), a conduzir, presa por cordas, uma vaca brava, sob condenação de 200 reis pagos na cadeia.

Mais tarde, segundo o Código de Posturas de 1720, a pena agravava-se para 480 réis.

Diz a lenda que a Igreja Matriz, da primitiva vila, era um tempo pagão dedicado a uma deusa, simbolizada por uma vaca.


Mais tarde, este tempo foi transformado em igreja pelos cristãos que retiraram do seu nicho a imagem da "deusa vaca" e com ela deram três voltas à igreja, após o que a arrastaram pelas ruas da vila, para alegria de todos os habitantes.

Daí virá o costume da "Vaca das Cordas", um ritual que foi interrompido em 1881 pela vereação, tendo reaparecido por volta de 1922/23, não mais deixando de se realizar.

Vaca das Cordas por Goya - 1793

Hoje em dia, esta festividade singular é assistida por milhares de pessoas da região e de todo o Norte do país. Por entre petiscadas, malgas de vinho e cantares ao som da concertina, brinca-se com a vaca numa tarde de festa que se aconselha a toda a gente.

Recomenda-se apenas um bom par de sapatilhas, boa disposição e apetite. Assim sendo, façam rumo às margens do rio Lethes preparando-vos para lá ficarem até altas horas da madrugada!

Até quarta!


1 comentário:

luís miguel disse...

uma baca que na realidade é boi