terça-feira, 3 de junho de 2008

Rosas Bravas

E lá estavam, ornamentando discretamente uma parcela do caminho.

Pela estrada sinuosa, de um lado a citânia milenar e as suas ruínas melancólicas, no outro um vale verdejante brilhando, viçoso, à luz do sol.

E lá estavam, selvagens e anónimas, esquecidas, tão pouco estimadas como o deveriam ser, aquelas pequenas Rosas Bravas.


Há nos teus olhos um tal fulgor
E no teu riso tanta claridade,
Que o lembrar-me de ti é ter saudade
Duma roseira brava toda em flor.

Tuas mãos foram feitas para a dor,
Para os gestos de doçura e piedade;
E os teus beijos de sonho e de ansiedade
São como a alma a arder do próprio Amor!

Nasci envolta em trajes de mendiga;
E, ao dares-me o teu amor de maravilha,
Deste-me o manto de oiro de rainha!

Tua irmã…teu amor…e tua amiga…
E também, toda em flor, a tua filha,
Minha roseira brava que é só minha!…

Florbela Espanca - Reliquiae

2 comentários:

Galaico2 disse...

Tenho uma relação especial com estas plantas.

Uma certa parte do caminho que dava para a minha escola de infância, era ladeado por estas Rosas Bravas.

Muitos ninhos encontrei nestes silvados!

As meninas da minha altura usavam estas flores para diversos fins, especialmente para fazer uma espécie de "sabão".

Friccionavam as flores nas mãos até se desfazerem em espunha e deixar cheiro!

Uma boa planta para este fim era a flor de japoneira. essa tranformava-se totalmente em sabão!

O Galaico disse...

As coisas que aprendemos neste blogue!

Sem dúvida as moças eram naquele tempo bem mais simples e não menos belas!