segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A negação da origem!


O Galaico é um sítio onde se fala do Norte. Fala-se do que é ser do Norte hoje, ontem e também do que ele foi e/ou poderia ter sido.

Expressam-se sentimentos assim como se retratam situações. Normalmente fala-se com orgulho mas por vezes é preciso apontar o que não está bem.

O que é ser do Norte? Ser Galego? Quais as origens?

Muitos apontam os Celtas como a maior influência. A maioria fala de um "Celtiberismo" impreciso e confuso. Outros também sustêm que outros sangues como o Romano e o Mouro também contam.

Na minha opinião, Romanos e Mouros nada têm a ver com a etnia Galaica. Os Romanos não se "rebaixavam" ao ponto de procriarem com indígenas e, as situações que possam ter ocorrido advém de violações que na maioria dos casos eram cometidas por legionários que, por sua vez, raramente eram Romanos mas sim oriundos de qualquer país conquistado nas imediações. Provavelmente, grande parte seria também originária de povos de cultura atlântica.

Quanto aos Mouros, esta questão torna-se ainda mais ridícula. Tendo apenas permanecido cerca 40 anos na Gallaecia e, sempre em guerra, nunca estabelecendo cidades nem sequer interagindo com os Galaicos, a influência genética moura não existe. Reparem que não estou a rebaixar a etnia Moura nem nada que se pareça. Esta cultura era na verdade extremamente avançada e rica. No entanto, não nego que não me importo nada de não lhes estar associados. O que importa dizer é que ao fim de poucos anos, D.Afonso I das Asturias reconquistou a Gallaecia proferindo a celebre citação: "Até ao Douro não há de viver nem um Mouro! Hei de os perseguir a todos!". O erro de ter defrontado o exército romano nas margens do rio Douro que culminou com a derrota do exército Galaico composto por 60.000 homens (!!!) não se repetiu.

Isto tudo para chegar onde? Quem são os Galegos de hoje? Bem, definitivamente somos uma mistura dos povos neolíticos que por aqui se devem ter fixados há cerca de 6000 anos durante a ultima era glaciar e a consequente influência dos povos de cultura Celta. Povos estes que comunicaram com a Gallaecia devido à sua posição geográfica e recursos naturais comuns. As invasões Celtas de que tanto se fala são porém uma mentira pois não há vestígios delas. O que houve foi uma evidente troca cultural progressiva que fez com que certos povos Europeus desenvolvessem uma cultura mais ou menos comum. Os "celtas" não eram uma raça. Eles nem sequer olhavam para si como uma nação ou como iguais. Os Celtas eram povos com um modo de vida, crenças e língua mais ou menos semelhantes. E isso que nos aproxima por exemplo do atlântico e nos afasta do mediterrâneo. Além do mais, é sabido e aceite que foram Galaicos que invadiram a Irlanda levando com eles a cultura que os primeiros tanto estimam. Está também demonstrado que geneticamente os Irlandeses estão mais perto dos Galegos do que dos povos centro-europeus.

Chegamos assim ao propósito deste Post. Perdoem-me os que não tem paciência para grandes discursos mas certas questões tem de ser sempre bem explicadas.

Contei-vos isso tudo para poder inserir correctamente a afirmação que se segue:

A cidade de Braga é a maior representante da santa ignorância e heresia que existe nas instituições arqueológicas e patrimoniais Portuguesas!

Falam de Braga como a cidade dos arcebispos mas também como a "Roma Portuguesa"! Expõem as ruínas dos invasores com orgulho e não olham a meios para criarem infraestruturas museológicas. Enquanto isso, centenas de Castros apodrecem e jazem sem qualquer intervenção na maioria dos Cumes do Norte de Portugal. Esta situação é idêntica na Galiza.

A cada obra publica em Braga encontram-se novos vestígios da cidade a que chamavam Bracara Augusto. De cada vez que isso acontece, param-se as obras aumentando astronómica mente os custos, chama-se a imprensa e, altivamente, se proclama mais uma vez a grandiosidade histórica de Braga.

Eu pergunto-me se todos os nossos professores, autarcas, engenheiros, doutores e cidadãos são estúpidos?

Por vezes creio que sim e por isso vou descrever brevemente quem eram os Romanos e quem eram os Bràcaros.

Os Brácaros eram Galaicos. Ou Callaicos, Kallaikoi ou o que quiserem lhes chamar. Os Brácaros eram um dos povos que viviam na Gallaecia e que Estrabão, o geógrafo grego ao serviço do império Romano, disse: "Viverem da mesma maneira". A Etnia era Galaica e, dentro desta haviam vários povos. Os Brácaros eram um deles. Dentre destes povos havia outras divisões que se sucediam até à unidade familiar. Nisso as coisas não mudaram até hoje.

Os Romanos estes eram invasores. Assassinos em massa. Destruíram crenças milenares, povos que existiam desde sempre. Os Romanos pensavam que estavam a iluminar estes bárbaros incultos e a benze-los com a sua língua "pura". Na verdade eles apenas buscavam riqueza e a satisfação animal que a guerra lhes dava.

Os geógrafos Romanos relataram muito bem o que sofreram os nossos reais antepassados durante estes tempos negros. "As mulheres combatem junto aos homens e preferem degolar os filos a vê-los ser escravizados pelos invasores. Também os guerreiros lutavam até a morte e, quando se viam perdidos suicidavam-se".

Esta era a realidade. Estes os actos dos Romanos. Imaginem por exemplo os Estados Unidos a desembarcar na costa Galaica e começar a matar toda a gente que não quisesse entregar-lhes o destino e controlo das suas próprias vidas. Fechem os olhos e pensem no sofrimento atroz e nos actos cruéis que levaram ao fim de uma civilização.

Sim! E disto que estamos a falar. O fim da civilização Celto-Galaica Castreja. Uma riquíssima e florescente sociedade à qual lhe foi negada direito de existir.

E então? Gostariam de ver os seus filhos abatidos, os familiares mortos ou escravizados e, depois, milhares de anos depois os descendentes afirmarem-se como Romanos e exporem com orgulho todos os tanques de guerra e bases estratégicas usadas para aniquilar os seus antepassados?

E exactamente isso que se passa com a bajulação a Roma no território Galaicos e em todo Portugal.

Não digo para destruírem as ruínas nem para as transformar numa espécie de Auschwitz da idade do ferro mas seria lógico dar prioridade à recuperação dos Castros , à sua valorização assim como associar as nossas crianças a esta cultura autóctone e nossa mais que à cultura dos invasores criminosos. Em vez da insistência no religioso católico (que hoje em dia de facto tem bons propósitos ao contrário do passado) podiam dar a opção para os que quisessem de perceber como certos aspectos da nossa igreja são unicamente reflexos de um passado pagão.

Porquê tanta dificuldade em divulgar quem somos? Porquê insistir em globalizar todas as regiões e todas as pessoas sob o manto do Lusitanismo e da Romanização quando nestes mesmos tempos os Romanos nem sequer tentaram converter os bárbaros em cidadãos civilizados. Podem dizer que sim mas a verdade é que muitas vezes eles é que acabavam por se aculturar às regiões onde estavam destacados. Uma prova disso é a incontestável fonte do Ídolo em Braga onde um Romano chamado "Celino" prestou homenagem à Deusa Nabia. Uma das mais importantes divindades do panteão Céltico da Lusitânia e Gallaecia.

Os Callaicos não são Romanos pois os Romanos não permaneceram cá aquando da queda do Império. Não são Mouros pois estes nunca cá se estabeleceram e também não são Lusitanos pois estes eram inimigos contra os quais se envolviam em lutas pelo território.

Os Galegos são Galaicos ponto final. Todas as insinuações do contrário são provas de estupidez ou manipulação nacionalista.

Eu como descendente de Galaicos não sou melhor que ninguém e ninguém é melhor do que eu. No entanto, nada justifica a incomensurável ignorância que se verifica diariamente para com as nossas terras.

9 comentários:

Anónimo disse...

"uanto aos Mouros, esta questão torna-se ainda mais ridícula. Tendo apenas permanecido cerca 40 anos na Gallaecia e, sempre em guerra, nunca estabelecendo cidades nem sequer interagindo com os Galaicos, a influência genética moura não existe."

Enganas-te.
Nesses 40 anos podemos nao ter recebido muita mistura moura, mas nos anos que se seguiram fomos aos poucos e poucos recebendo mistura moura de forma indirecta, atraves de misturas com gente do centro e sul do actual Portugal.
E claro que nessa altura, ate ha algum tempo atras, havia poucas misturas com gentes de outras regioes, cidades, etc.
Porem nestas ultimas geracoes tem havido muita mistura de nortenhos com algarvios e gente do centro de Portugal, pelo que o sangue mouro nos Galaicos so vai aumentar, nao vai estabilizar.

O futuro e ficarmos mais mouros e termos uma grande quantidade de sangue da africa negra.
o sangue galaico assim como o dos outros povos europeus, esta condenado a extincao

mas a mistura e que esta correcta. a morte do nosso patrimonio genetico e que esta correcto.
nao podemos defender o nosso sangue, porque se defendemos somos racistas, xenofobos, nazis e mauzinhos.

O Galaico disse...

Olá Sr. Anónimo.

Obviamente não existe sangue puro. Isso vive na cabeça dos idealistas.

No entanto, é bem sabido que do Douro para cima durante a ocupação Moura da Lusitânia, não haviam de facto trocas nenhumas, Os Mouros foram expulsos e a tendência da época era mata-los a todos caso estes fossem encontrados a vaguear dentro da Gallaecia.

Pelo menos isso é o que disse D. Afonso I das Asturias. "Não há de ficar a viver um Mouro daqui ao rio Douro".

Depois de libertados destes invasores, a tendência foi para expansão gradual a sul que chegou inclusive a Coimbra por ex. O Norte não recebia influencias. Pelo contrário, libertava outras terras da dos Mozárabes.

Sendo o Norte e a Galiza uma zona "pobre" (bem que riquíssima em terras e alguma indústria mal aproveitada ou sabotada), as tendências posteriores foram de esquecimento e abandono.

Durante a idade média, o poder foi para sul e ficou o Norte quase ao abandono. Com a entrada na vida moderna o caso guardou algumas semelhanças.

Na verdade, o que se verifica são Galaicos a imigrar para o mundo inteiro e ir para lisboa ou algarve trabalhar.

Muito raramente, ou nunca vi, um Lisboeta ir vir trabalhar com a sua família para Braga, Guimarães ou Viana. Pode contá-los pelos dedos da mão.

O facto é que a "Etnia" Galaica ainda é das mais bem preservadas da Europa. Hoje sente as influencias de imigrantes estrangeiros mas estes, na sua maioria, casam e vivem entre eles.

Além disso, deveríamos estar muito mais preocupados na valorização do nosso património,promoção da nossa história e divulgação da cultura do que pensar em "pureza de sangue". Nos tempos actuais é mais que claro que este é um caminho condenado.

Não há mal em haver alguma diversidade cultural numa região. Sempre as houve em toda a história.

Os Galaicos não interagiam com Fenícios e Gregos? Povos mediterrânicos centro-europeus? Povos do triângulo Céltico?

O Norte de Portugal e a Galiza são 2 (ou 1) regiões que se podem gabar de ter uma cultura vincada e uma grande maioria de povo nativo.

Isso pode mudar pouco a pouco mas na verdade seremos sempre Galaicos.

fotografo marado disse...

Barato Galaico,

à questão "What have the Romans ever done for us?" já os Monty Phyton responderam na Vida de Brian:

http://www.youtube.com/watch?v=ExWfh6sGyso

Por isso toca a pagar-lhes!...

O Galaico disse...

Na realidade, e isto é um facto inegável.

As populações europeias não precisaram dos romanos para construir pontes ou estradas.

A organização social das populações baseava-se no comercio entre os povoados e na verdade, existiam já estradas fantásticas. Isso foi provado com achados na Irlanda e Alemanha.

O que os romanos fizeram foi destruir estas vias de comunicação e obrigarem a usar as deles para poderem cobrar impostos.

Os aquedutos eram desnecessários para os povoados pre-romanos pois não viviam em cidades centralizadas.

O mesmo se passa com a irrigação. Esta era irrigação do tipo que ainda se vê por exemplo no Norte do país. Através da utilização dos regos e ribeiros naturais, criando poças para armazenar agua etc.

Acerca do urbanismo, deixem-me rir. Quem foi a Briteiros ou qualquer outra citânia pode ver que já existia alguma preocupação do género. Pelo menos, perfeitamente adequada as pequenas dimensoes dos povoados.

No fundo, as "inovações" que eles trouxeram devem-se ao facto de eles viverem de um modo diferente. Estas eram coisas que não faziam falta às populações autóctones.

Aliás, suponho que a tecnologia aurífera, metalurgia e astronómica dos povos atlanticos não ficavam a dever nada aos Romanos. Ainda aprenderam alguma coisa.

Lembro-me de um achado nas ilhas britânicas de um quadro de madeira de origem Celta onde o astrónomo era capaz através de uns furos matematicamente colocados, saber exactamente todo o calendário lunar até ao fim dos tempos.

Isso envolvia técnicas matemáticas incríveis e veio desmontar a teoria que os romanos eram "libertadores da ignorancia"!

A unica coisa boa que os Romanos trouxeram, foi a capacidade de ler e escrever. Mas mesmo assim, corromperam o idioma Celtico com a língua latina.

Aqui segue um link de um documentario interessante...

http://www.freemoviesandfilms.com/component/option,com_seyret/task,videodirectlink/Itemid,26/id,478/

Maria disse...

Mas, lá que os Monty Python são fantásticos, são!... :P

Lola disse...

Galaico,

Só ontem vi o teu comentário no meu blog.

Gostei imenso do que li.
Ainda sei muito pouco sobre as minhas origens, mas emociono-me com as músicas e as lendas atribuidas aos Celtas.
Ainda tenho Castro no nome.

Já fiz o link para o teu blog.

Um abraço irmão.

O Galaico disse...

Olá Lola.

Vai aparecendo e comentando.

O objectivo do blogue é mesmo esse. Mostrar outras perspectivas acerca das origens e da terra em que vivemos.

Estamos aqui para ensinar algo e antes de mais, para aprender muito.

Abraço!

zixsix disse...

ora aqui estão algumas das razões que nos revoltam enquanto galaicos!

e faz-me admirar que a cidade de Braga, com tantos vestigios castrejos no distrito e ainda por cima com uma universidade a leccionar Arqueologia, História, linguas, filosofias, etc se continue a bater no mesmo erro!

José Barbosa disse...

É pena mas é verdade, os jovens de hoje aqui no minho não sabem do seu passado, não sabem o que eramos nem o quanto guerreiros eramos, mas apesar de tamos senpre a ser bonbardeados com culturas diferênte ainda temos sangue galaico nas veias, os nossos pais e avõs ainda lá de vez en quando nos contão histórias das suas asneiras e brincadeiras que faziam, e todos nós ainda temos umas histórinhas para contar, mesmo quando é po "cassete" ainda nos safamos bem mesmo nas claques de futboll quando á "porrada" mesmo en minoria mostramos a rassa que somos.


gostei do blog, fiquei a saber muito, e é bom saber que ainda á galaicos a sério, não podemos escondei o que somos, infelismente o nosso pais não valorisa esta cultura, talvez por penssar ser anti-patriotismo, ou qualquer coisa do jénero, mas só escorraçamos os mouros por termos bons guerreiro do norte. mas prontos gostei do blog e que mesmo sendo poucos, os menhores.