segunda-feira, 28 de julho de 2008

Romaria da Santa Marta da Falperra


Terreiro de Santa Marta
Eu hei de mandar varrer
Com um Raminho de Oliveira
Que D'oiro num Pode ser

Começa hoje uma das maiores e mais antigas romarias da região do Minho!
A Romaria da SANTA MARTA DA FALPERRA!


Santa Marta da Falperra
Eu hei de Mandar Bordar
Um Tapetinho de Linho
Para as Moças nele Dançar

Dividindo Braga e Guimarães e, respectivamente as Freguesias de Nogueira e Santa Cristina de Longos, esta romaria sempre esteve associada à rivalidade entre Braga e Guimarães.

Braga:



Guimarães:


Santa Marta do Leom
Eu pró Ano hei de lá ir
Ou casado ou Sulteiro
Ou criado de Serbir



A polémica construção de um dos maiores exemplares da arte Barroca, especificamente a capela de Santa Maria Madalena, há muitos anos causa disputa entre as populações dos 2 concelhos. Uns dizem que a Capela está virada para Braga e que pelas carmelitas Bracarenses foi construída. Os outros dizem que está em terreno Vimaranense e que a maior parte dos Romeiros e Fieis que mantém a tradição deste lugar são de Guimarães.

Santa Marta das Cortiças
Lebo Augua para Regar
Sou Criado de Serbir
Nom me Posso Demorar



Há alguns séculos atrás, a cada ano era surpresa se não houvessem mortos durante a Romaria de Santa Marta. Porquê? Porque as entidades religiosas de Braga e Guimarães patrocinavam as festas com pipas de vinho para que as suas populações defendessem os seus direitos quanto a este território sagrado.


Com vinho e comida gratuita (que benesse naqueles tempos) reuniam-se cantadores à desgarrada. Quando os ânimos de exaltavam, a pancadaria ganhava supremacia e, quem ganhasse este desafio, ficava com o precioso direito de explorar as capelas do terreiro de Santa Marta durante este ano.


Ó Santa Marta do Alto
Abaixai-me Esta Barriga
Que Nom sei que Trago nela
Sé de Garrafa sé da Pipa

Hoje, a tradição vai se mantendo a custo. As zonas urbanas vão crescendo mas mesmo assim continuam, persistentes, alguns cantadores a juntarem-se sob os centenários Carvalhos a exibir os reflexos dos antigos trovadores medievais: A DESGARRADA.

Ó Santa Marta do Alto
Alumiai-me o Caminho
Estou triste e Cansado
Ja estou Muito Velhinho

Recordo-me o que a Minha avó me disse quando ainda a sua lucidez reinava sobre nós! Dizia ela sobre esta Romaria:


" Era dia SANTO! Ninguém trabalhava! Iamos todos pela estrada real (Romana) com Presunto, Pão e Vinho! Os cantadores e tocadores de toda a região por ali passavam (Vale do Ave) e, muitos, vinham de longe (Gerês, Lanhoso, Guimarães, Fafe, Famalicão) !!! Pobre e cansados! Cheios de Fome!! Nós, como éramos de perto e ainda nos pertence parte do terreiro, dávamos-lhes de comer a troco de uma moda das suas terras! Cantava-mos, Dançava-mos, Bebíamos e Comíamos!! Que lindo que era! Esperáva-mos todo o ano por isso!"

E o que faziam na romaria? Quais eram os Costumes?


" Os Homens iam beber Vinho e para as Desgarradas. Os mais jovens, estes, procurava as moças e olhavam-nas dançar! Quem soubesse dançar ou cantar melhor, dançava e cantava com as moças de maior dote e beleza!"


"Antigamente, antes de ir visitar a Santa Marta, todas as Mulheres e as suas filhas iam à fonte do Leom que estaba enfeitada com fitas às cores e coroas de flores! Ali, limpavam os pés, lavavam a cara e as mãos. Tudo o que pudessem para entrarem mais puras na capela! Dizem que a fonte era santa e que por isso fizeram depois as capelas (Na verdade, a devoção do local dever ter nascido através da contínua e perpétua fidelidade aos Deuses dos Castros aí existentes)!!

Hoje a tradição mantém-se. A custo e, esmorecendo, mas ainda está presente.

um património a preservar e valorizar!

3 comentários:

Anónimo disse...

De qualquer maneira, seria interessante que colocasses aqui o programa das festas na Calecia, ou um link para o mesmo.
Isto se existir alguma pagina com essas informações. Por vezes não vou a estas festas populares porque não sei da realização das mesmas.


SUEVO (não me apeteceu fazer login)

zixsix disse...

"Por fim, dei conta que gastei 4 €"

ahahahahah

Adelino Ribeiro disse...

Esta romaria, também serviam como marco de um trabalho campezino, pois era o sacho, que consistia em picar a terra em volta dos milheiros e retirar as ervas daninhas e preparando para a rega. Isto passava-se com as gentes do lado sul particularmente das gentes que viviam no vale d'Este ( freguesias de Aveleda, Celeirós e Vimieiro. Acontecia nos princípios do século XX fins do XIX.

Adelino Ribeiro
Agosto de 2016