terça-feira, 22 de julho de 2008

O ilustre D. João de Aboim

Foi Trovador, Governador do Algarve e Mordomo-Mor (equivalente a primeiro ministro) do Rei D. Afonso III durante 15 anos, e Conselheiro do rei no reinado de D. Dinis.

D. João de Aboim nasceu por volta de 1213 em Aboim da Nóbrega (extinto couto Terras da Nóbrega), no Lugar do Outeiro, tendo recebido a sua educação inicial em Azias e depois realizado os estudos avançados em França, juntamente com o ainda, na altura, Infante D. Afonso, futuro Rei D. Afonso III de Portugal.

D. João de Aboim era filho de D. Pedro Ouriguez da Nóbrega e neto de D. Ourigo Ouriguez, O Velho da Nóbrega que (re)construiu o poderoso Castelo da Nóbrega e expulsou os Mouros das Terras da Nóbrega.

Tronco destas duas famílias da Nóbrega e Aboim, descenderam ilustres nobres unidos por casamento com os melhores de Portugal e Espanha.
D. João de Aboim foi muito rico em bens, tanto em Portugal como em Espanha, e foi tão amigo da Ordem de Malta que lhe sujeitou ao Mosteiro de Marmelar (onde está sepultado) as igrejas da vila de Portel no Alentejo.

D. João de Aboim foi a mais alta figura da nobreza do seu tempo e a sua acção foi de importância decisiva para a afirmação institucional da monarquia e da consolidação efectiva do espaço territorial português. A sua vida está intimamente ligada à história de formação actual de Portugal.

Resolvido o problema da ocupação muçulmana, após a reconquista, era preciso povoar o Alentejo e o Algarve. Então, D. Afonso III, dá forais a povoações já existentes, ou a outras que, entretanto se formam.


D. João Peres de Aboim recebeu inúmeras propriedades rurais e urbanas, tornando-se o mais poderoso fidalgo do reino, mas foi no concelho de Évora que recebeu o seu maior quinhão aquele que viria a ser conhecido como Senhor de Portel.

Os dezasseis anos que permaneceu em França junto do meio literário e conjuntamente com D. Afonso, conferiu-lhe uma cultura literária e um engenho poético que o elevaram acima da maior parte dos cortesãos do seu tempo.

Considerado por Carolina Michaelis como o mais ilustre fidalgo que veio de França com D. Afonso III, D. João Peres de Aboim foi também um poeta-trovador, de quem existem notícias de trinta e três poesias, conhecendo-se, no entanto, apenas dezassete: duas cantigas de amor, onze cantares de amigo “graciosos e fluentes”, e três cantigas de mal dizer.

É-lhe atribuída também uma pastorela que, cronologicamente, será a mais antiga conhecida na história da poesia trovadoresca portuguesa.

Nesta cantiga revela D. João de Aboim as suas ligações a França e ao caminho francês, a estrada que os cavaleiros e os romeiros percorriam de Bordéus a Santiago de Compostela, nas peregrinações ao túmulo do santo patrono dos guerreiros peninsulares:

Cavalgando noutro dia
per o caminho francês
e ua pastor siia
cantando com outras três
pastores, e, non vos pês,
e direi-vos todavia
o que a pastor dizia
aos outras em castigo:
“Nunca molher crea per amigo
pois s’o meu foi e non falou
migo”
(…)

1 comentário:

Anónimo disse...

Sou brasileira, meu nome é Nina Maria de Aboim, e tenho uma curiosidade enorme a respeito de tudo o que se refira à minha família. Muito obrigada pelo excelente texto. Deixo meu e-mail:naboim@uol.com.br